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De Palmas no Paraná até Paris. Vou falar um pouco sobre Palmas, a cidade mais fria do Paraná para ilustrar sobre o que realmente quero tratar. Vivi em Palmas entre 1948 e 1950, dos 10 aos 12 anos. Ainda hoje sonho com aquela Palmas e sempre que me olho no espelho me pergunto: onde foi parar aquele guri palmense? Meu pai, militar, servia no esquadrão da cavalaria da cidade e seu cavalo chamava-se Combate. Morávamos numa chácara, na “argentina” onde minha irmã nasceu. Era alugada e pertencia a um senhor que, se não me engano, chamava-se Bernack e morava no Lagoão. Tinha um grande proteiro e um parreral que, para mim, era do tamanho de uma quadra. Fui visinho do senhor Antoninho Luchesi, que também tinha um pequeno parreral. Estudei no Colégio Bom Jesus, do frei Ludegero, fui amigo do Celso Vasconcelos, do Getulio, vi o Jeca Tesseroli derrubar um cavalo com um soco, nadei no rio Caldeira, pesquei no rio Chopim... Por onde andará aquele guri de Palmas? Saudades de pisar na geada, daquela igreja toda de madeira. Todos os telhados eram de madeira! Brincando com as crianças no Toldo dos Índios. Ou na cachoeirinha que havia dentro do terreno do quartel. Aquele guri que, apesar do imenso parreral de onde morava, ia roubar uva do seu Anotinho Luchesi. Por que? Porque as uvas do visinho são sempre melhores. Pensei sobre tudo isso do alto da torre Eiffel em Paris, vendo aquela imensidão de prédios tristes e me confessei: preferia, mil vezes, estar naquela minha Palmas. Sua opinião:
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