Pérolas aos poucos

Marilena Chauí fala das manipulações da mídia

Leia a versão integral da palestra proferida pela professora de Filosofia da USP, Marilena Chauí, na atividade de lançamento da campanha "Para Expressar a Liberdade - Uma nova lei para um novo tempo", no dia 27/08 no sindicato dos jornalistas de São Paulo. 

I. Democracia e autoritarismo social.

Estamos acostumados a aceitar a definição liberal da democracia como regime da lei e da ordem para a garantia das liberdades individuais. Visto que o pensamento e a prática liberais identificam a liberdade com a ausência de obstáculos à competição, essa definição da democracia significa, em primeiro lugar, que a liberdade se reduz à competição econômica da chamada “livre iniciativa” e à competição política entre partidos que disputam eleições; em segundo, que embora a democracia apareça justificada como “valor” ou como “bem”, é encarada, de fato, pelo critério da eficácia, medida no plano do poder executivo pela atividade de uma elite de técnicos competentes aos quais cabe a direção do Estado. A democracia é, assim, reduzida a um regime político eficaz, baseado na idéia de cidadania organizada em partidos políticos, e se manifesta no processo eleitoral de escolha dos representantes, na rotatividade dos governantes e nas soluções técnicas para os problemas econômicos e sociais.

Ora, há, na prática democrática e nas idéias democráticas, uma profundidade e uma verdade muito maiores e superiores ao que liberalismo percebe e deixa perceber.

Podemos, em traços breves e gerais, caracterizar a democracia ultrapassando a simples idéia de um regime político identificado à forma do governo, tomando-a como forma geral de uma sociedade e, assim, considerá-la:

1. forma sócio-política definida pelo princípio da isonomia (igualdade dos cidadãos perante a lei) e da isegoria (direito de todos para expor em público suas opiniões, vê-las discutidas, aceitas ou recusadas em público), tendo como base a afirmação de que todos são iguais porque livres, isto é, ninguém está sob o poder de um outro porque todos obedecem às mesmas leis das quais todos são autores (autores diretamente, numa democracia participativa; indiretamente, numa democracia representativa). Donde o maior problema da democracia numa sociedade de classes ser o da manutenção de seus princípios – igualdade e liberdade – sob os efeitos da desigualdade real;

2. forma política na qual, ao contrário de todas as outras, o conflito é considerado legítimo e necessário, buscando mediações institucionais para que possa exprimir-se. A democracia não é o regime do consenso, mas do trabalho dos e sobre os conflitos. Donde uma outra dificuldade democrática nas sociedades de classes: como operar com os conflitos quando estes possuem a forma da contradição e não a da mera oposição?

3. forma sócio-política que busca enfrentar as dificuldades acima apontadas conciliando o princípio da igualdade e da liberdade e a existência real das desigualdades, bem como o princípio da legitimidade do conflito e a existência de contradições materiais introduzindo, para isso, a idéia dos direitos (econômicos, sociais, políticos e culturais). Graças aos direitos, os desiguais conquistam a igualdade, entrando no espaço político para reivindicar a participação nos direitos existentes e sobretudo para criar novos direitos. Estes são novos não simplesmente porque não existiam anteriormente, mas porque são diferentes daqueles que existem, uma vez que fazem surgir, como cidadãos, novos sujeitos políticos que os afirmaram e os fizeram ser reconhecidos por toda a sociedade.

4. graças à idéia e à prática da criação de direitos, a democracia não define a liberdade apenas pela ausência de obstáculos externos à ação, mas a define pela autonomia, isto é, pela capacidade dos sujeitos sociais e políticos darem a si mesmos suas próprias normas e regras de ação. Passa-se, portanto, de uma definição negativa da liberdade – o não obstáculo ou o não-constrangimento externo – a uma definição positiva – dar a si mesmo suas regras e normas de ação. A liberdade possibilita aos cidadãos instituir contra-poderes sociais por meio dos quais interferem diretamente no poder por meio de reivindicações e controle das ações estatais.

5. pela criação dos direitos, a democracia surge como o único regime político realmente aberto às mudanças temporais, uma vez que faz surgir o novo como parte de sua existência e, conseqüentemente, a temporalidade é constitutiva de seu modo de ser, de maneira que a democracia é a sociedade verdadeiramente histórica, isto é, aberta ao tempo, ao possível, às transformações e ao novo. Com efeito, pela criação de novos direitos e pela existência dos contra-poderes sociais, a sociedade democrática não está fixada numa forma para sempre determinada, pois não cessa de trabalhar suas divisões e diferenças internas, de orientar-se pela possibilidade objetiva de alterar-se pela própria práxis;

6. única forma sócio-política na qual o caráter popular do poder e das lutas tende a evidenciar-se nas sociedades de classes, na medida em que os direitos só ampliam seu alcance ou só surgem como novos pela ação das classes populares contra a cristalização jurídico-política que favorece a classe dominante. Em outras palavras, a marca da democracia moderna, permitindo sua passagem de democracia liberal á democracia social, encontra-se no fato de que somente as classes populares e os excluídos (as “minorias”) reivindicam direitos e criam novos direitos;

7. forma política na qual a distinção entre o poder e o governante é garantida não só pela presença de leis e pela divisão de várias esferas de autoridade, mas também pela existência das eleições, pois estas ( contrariamente do que afirma a ciência política) não significam mera “alternância no poder”, mas assinalam que o poder está sempre vazio, que seu detentor é a sociedade e que o governante apenas o ocupa por haver recebido um mandato temporário para isto. Em outras palavras, os sujeitos políticos não são simples votantes, mas eleitores. Eleger significa não só exercer o poder, mas manifestar a origem do poder, repondo o princípio afirmado pelos romanos quando inventaram a política: eleger é “dar a alguém aquilo que se possui, porque ninguém pode dar o que não tem”, isto é, eleger é afirmar-se soberano para escolher ocupantes temporários do governo.

Dizemos, então, que uma sociedade — e não um simples regime de governo — é democrática quando, além de eleições, partidos políticos, divisão dos três poderes da república, respeito à vontade da maioria e da minoria, institui algo mais profundo, que é condição do próprio regime político, ou seja, quando institui direitos e que essa instituição é uma criação social, de tal maneira que a atividade democrática social realiza-se como uma contra-poder social que determina, dirige, controla e modifica a ação estatal e o poder dos governantes.

Se esses são os principais traços da sociedade democrática, podemos avaliar as enormes dificuldades para instituir a democracia no Brasil. De fato, a sociedade brasileira é estruturalmente violenta, hierárquica, vertical, autoritária e oligárquica e o Estado é patrimonialista e cartorial, organizado segundo a lógica clientelista e burocrática. O clientelismo bloqueia a prática democrática da representação — o representante não é visto como portador de um mandato dos representados, mas como provedor de favores aos eleitores. A burocracia bloqueia a democratização do Estado porque não é uma organização do trabalho e sim uma forma de poder fundada em três princípios opostos aos democráticos: a hierarquia, oposta à igualdade; o segredo, oposto ao direito à informação; e a rotina de procedimentos, oposta à abertura temporal da ação política.

Além disso, social e economicamente nossa sociedade está polarizada entre a carência absoluta das camadas populares e o privilégio absoluto das camadas dominantes e dirigentes, bloqueando a instituição e a consolidação da democracia. Um privilégio é, por definição, algo particular que não pode generalizar-se nem universalizar-se sem deixar de ser privilégio. Uma carência é uma falta também particular ou específica que se exprime numa demanda também particular ou específica, não conseguindo generalizar-se nem universalizar-se. Um direito, ao contrário de carências e privilégios, não é particular e específico, mas geral e universal, seja porque é o mesmo e válido para todos os indivíduos, grupos e classes sociais, seja porque embora diferenciado é reconhecido por todos (como é caso dos chamados direitos das minorias). Assim, a polarização econômico-social entre a carência e o privilégio ergue-se como obstáculo à instituição de direitos, definidora da democracia.

A esses obstáculos, podemos acrescentar ainda aquele decorrente doneoliberalismo, qual seja o encolhimento do espaço público e o alargamento do espaço privado. Economicamente, trata-se da eliminação de direitos econômicos, sociais e políticos garantidos pelo poder público, em proveito dos interesses privados da classe dominante, isto é, em proveito do capital; a economia e a política neoliberais são a decisão de destinar os fundos públicos aos investimentos do capital e de cortar os investimentos públicos destinados aos direitos sociais, transformando-os em serviços definidos pela lógica do mercado, isto é, a privatização dos direitos transformados em serviços, privatização que aumenta a cisão social entre a carência e o privilégio, aumentando todas formas de exclusão. Politicamente o encolhimento do público e o alargamento do privado colocam em evidência o bloqueio a um direito democrático fundamental sem o qual a cidadania, entendida como participação social, política e cultural é impossível, qual seja, o direito à informação.

 

II. Os meios de comunicação como exercício de poder

Podemos focalizar o exercício do poder pelos meios de comunicação de massa sob dois aspectos principais: o econômico e o ideológico.

Do ponto de vista econômico, os meios de comunicação fazem parte da indústria cultural. Indústria porque são empresas privadas operando no mercado e que, hoje, sob a ação da chamada globalização, passa por profundas mudanças estruturais, “num processo nunca visto de fusões e aquisições, companhias globais ganharam posições de domínio na mídia.”, como diz o jornalista Caio Túlio Costa. Além da forte concentração (os oligopólios beiram o monopólio), também é significativa a presença, no setor das comunicações, de empresas que não tinham vínculos com ele nem tradição nessa área. O porte dos investimentos e a perspectiva de lucros jamais vistos levaram grupos proprietários de bancos, indústria metalúrgica, indústria elétrica e eletrônica, fabricantes de armamentos e aviões de combate, indústria de telecomunicações a adquirir, mundo afora, jornais, revistas, serviços de telefonia, rádios e televisões, portais de internet, satélites, etc..

No caso do Brasil, o poderio econômico dos meios é inseparável da forma oligárquica do poder do Estado, produzindo um dos fenômenos mais contrários à democracia, qual seja, o que Alberto Dines chamou de“coronelismo eletrônico”, isto é, a forma privatizada das concessões públicas de canais de rádio e televisão, concedidos a parlamentares e lobbies privados, de tal maneira que aqueles que deveriam fiscalizar as concessões públicas se tornam concessionários privados, apropriando-se de um bem público para manter privilégios, monopolizando a comunicação e a informação. Esse privilégio é um poder político que se ergue contra dois direitos democráticos essenciais: a isonomia (a igualdade perante a lei) e a isegoria (o direito à palavra ou o igual direito de todos de expressar-se em público e ter suas opiniões publicamente discutidas e avaliadas). Numa palavra, a cidadania democrática exige que os cidadãos estejam informados para que possam opinar e intervir politicamente e isso lhes é roubado pelo poder econômico dos meios de comunicação.

A isonomia e a isegoria são também ameaçadas e destruídas pelo poder ideológico dos meios de comunicação. De fato, do ponto de vista ideológico, a mídia exerce o poder sob a forma do denominamos a ideologia da competência, cuja peculiaridade está em seu modo de aparecer sob a forma anônima e impessoal do discurso do conhecimento, e cuja eficácia social, política e cultural está fundada na crença na racionalidade técnico-científica.

A ideologia da competência pode ser resumida da seguinte maneira: não é qualquer um que pode em qualquer lugar e em qualquer ocasião dizer qualquer coisa a qualquer outro. O discurso competente determina de antemão quem tem o direito de falar e quem deve ouvir, assim como pré-determina os lugares e as circunstâncias em que é permitido falar e ouvir, e define previamente a forma e o conteúdo do que deve ser dito e precisa ser ouvido. Essas distinções têm como fundamento uma distinção principal, aquela que divide socialmente os detentores de um saber ou de um conhecimento (científico, técnico, religioso, político, artístico), que podem falar e têm o direito de mandar e comandar, e os desprovidos de saber, que devem ouvir e obedecer. Numa palavra, a ideologia da competência institui a divisão social entre os competentes, que sabem e por isso mandam, e os incompetentes, que não sabem e por isso obedecem.

Enquanto discurso do conhecimento, essa ideologia opera com a figura do especialista. Os meios de comunicação não só se alimentam dessa figura, mas não cessam de institui-la como sujeito da comunicação. O especialista competente é aquele que, no rádio, na TV, na revista, no jornal ou no multimídia, divulga saberes, falando das últimas descobertas da ciência ou nos ensinando a agir, pensar, sentir e viver. O especialista competente nos ensina a bem fazer sexo, jardinagem, culinária, educação das crianças, decoração da casa, boas maneiras, uso de roupas apropriadas em horas e locais apropriados, como amar Jesus e ganhar o céu, meditação espiritual, como ter um corpo juvenil e saudável, como ganhar dinheiro e subir na vida. O principal especialista, porém, não se confunde com nenhum dos anteriores, mas é uma espécie de síntese, construída a partir das figuras precedentes: é aquele que explica e interpreta as notícias e os acontecimentos econômicos, sociais, políticos, culturais, religiosos e esportivos, aquele que devassa, eleva e rebaixa entrevistados, zomba, premia e pune calouros — em suma, o chamado “formador de opinião” e o “comunicador”.

Ideologicamente, o poder da comunicação de massa não é um simples inculcação de valores e idéias, pois, dizendo-nos o que devemos pensar, sentir, falar e fazer, o especialista, o formador de opinião e o comunicador nos dizem que nada sabemos e por isso seu poder se realiza como manipulação e intimidação social e cultural.

Um dos aspectos mais terríveis desse duplo poder dos meios de comunicação se manifesta nos procedimentos midiáticos de produção da culpa e condenação sumária dos indivíduos, por meio de um instrumento psicológico profundo: a suspeição, que pressupõe a presunção de culpa. Ao se referir ao período do Terror, durante a Revolução Francesa, Hegel considerou que uma de suas marcas essenciais é afirmar que, por princípio, todos são suspeitos e que os suspeitos são culpados antes de qualquer prova. Ao praticar o terror, a mídia fere dois direitos constitucionais democráticos, instituídos pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789 (Revolução Francesa) e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, quais sejam: a presunção de inocência (ninguém pode ser considerado culpado antes da prova da culpa) e a retratação pública dos atingidos por danos físicos, psíquicos e morais, isto é, atingidos pela infâmia, pela injúria e pela calúnia. É para assegurar esses dois direitos que as sociedades democráticas exigem leis para regulação dos meios de comunicação, pois essa regulação é condição da liberdade e da igualdade que definem a sociedade democrática.

 

III. Faz parte da vida da grande maioria da população brasileira ser espectadora de um tipo de programa de televisão no qual a intimidade das pessoas é o objeto central do espetáculo: programas de auditório, de entrevistas e de debates com adultos, jovens e crianças contando suas preferências pessoais desde o sexo até o brinquedo, da culinária ao vestuário, da leitura à religiosidade, do ato de escrever ou encenar uma peça teatral, de compor uma música ou um balé até os hábitos de lazer e cuidados corporais.

As ondas sonoras do rádio e as transmissões televisivas tornam-se cada vez mais consultórios sentimental, sexual, gastronômico, geriátrico, ginecológico, culinário, de cuidados com o corpo (ginástica, cosméticos, vestuário, medicamentos), de jardinagem, carpintaria, bastidores da criação artística, literária e da vida doméstica. Há programas de entrevista no rádio e na televisão que ou simulam uma cena doméstica – um almoço, um jantar – ou se realizam nas casas dos entrevistados durante o café da manhã, o almoço ou o jantar, nos quais a casa é exibida, os hábitos cotidianos são descritos e comentados, álbuns de família ou a própria são mostrados ao vivo e em cores. Os entrevistados e debatedores, os competidores dos torneios de auditório, os que aparecem nos noticiários, todos são convidados e mesmo instados com vigor a que falem de suas preferências, indo desde sabores de sorvete até partidos políticos, desde livros e filmes até hábitos sociais. Não é casual que os noticiários, no rádio e na televisão, ao promoverem entrevistas em que a notícia é intercalada com a fala dos direta ou indiretamente envolvidos no fato, tenham sempre repórteres indagando a alguém: “o que você sentiu/sente com isso?” ou “o que você achou/acha disso?” ou “você gosta? não gosta disso?”. Não se pergunta aos entrevistados o que pensam ou o que julgam dos acontecimentos, mas o que sentem, o que acham, se lhes agrada ou desagrada.

Também tornou-se um hábito nacional jornais e revistas especializarem-se cada vez mais em telefonemas a “personalidades” indagando-lhes sobre o que estão lendo no momento, que filme foram ver na última semana, que roupa usam para dormir, qual a lembrança infantil mais querida que guardam na memória, que música preferiam aos 15 anos de idade, o que sentiram diante de uma catástrofe nuclear ou ecológica, ou diante de um genocídio ou de um resultado eleitoral, qual o sabor do sorvete preferido, qual o restaurante predileto, qual o perfume desejado. Os assuntos se equivalem, todos são questão de gosto ou preferência, todos se reduzem à igual banalidade do “gosto” ou “não gosto”, do “achei ótimo” ou “achei horrível”.

Todos esses fatos nos conduzem a uma conclusão: a mídia está imersa na cultura do narcisismo.

Como observa Christopher Lash, em A Cultura do Narcisismo, os mass media tornaram irrelevantes as categorias da verdade e da falsidade substituindo-as pelas noções de credibilidade ou plausibilidade e confiabilidade  para que algo seja aceito como real basta que apareça como crível ou plausível, ou como oferecido por alguém confiável. Os fatos cedem lugar a declarações de “personalidades autorizadas”, que não transmitem informações, mas preferências e estas se convertem imediatamente em propaganda. Como escreve Lash, “sabendo que um público cultivado é ávido por fatos e cultiva a ilusão de estar bem informado, o propagandista moderno evita slogans grandiloqüentes e se atém a ‘fatos’, dando a ilusão de que a propaganda é informação”.

Qual a base de apoio da credibilidade e da confiabilidade? A resposta encontra-se num outro ponto comum aos programas de auditório, às entrevistas, aos debates, às indagações telefônicas de rádios, revistas e jornais, aos comerciais de propaganda. Trata-se do apelo à intimidade, à personalidade, à vida privada como suporte e garantia da ordem pública. Em outras palavras, os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada, abolindo-se a diferença entre espaço público e espaço privado. Assim, as relações interpessoais, as relações intersubjetivas e as relações grupais aparecem com a função de ocultar ou de dissimular as relações sociais enquanto sociais e as relações políticas enquanto políticas, uma vez que a marca das relações sociais e políticas é serem determinadas pelas instituições sociais e políticas, ou seja, são relações mediatas, diferentemente das relações pessoais, que são imediatas, isto é, definidas pelo relacionamento direto entre pessoas e por isso mesmo nelas os sentimentos, as emoções, as preferências e os gostos têm um papel decisivo. As relações sociais e políticas, que são mediações referentes a interesses e a direitos regulados pelas instituições, pela divisão social das classes e pela separação entre o social e o poder político, perdem sua especificidade e passam a operar sob a aparência da vida privada, portanto, referidas a preferências, sentimentos, emoções, gostos, agrado e aversão.

Não é casual, mas uma conseqüência necessária dessa privatização do social e do político, a destruição de uma categoria essencial das democracias, qual seja a da opinião pública. Esta, em seus inícios (desde a Revolução Francesa de 1789), era definida como a expressão, no espaço público, de uma reflexão individual ou coletiva sobre uma questão controvertida e concernente ao interesse ou ao direito de uma classe social, de um grupo ou mesmo da maioria. A opinião pública era um juízo emitido em público sobre uma questão relativa à vida política, era uma reflexão feita em público e por isso definia-se como uso público da razão e como direito à liberdade de pensamento e de expressão.

É sintomático que, hoje, se fale em “sondagem de opinião”. Com efeito, a palavra sondagem indica que não se procura a expressão pública racional de interesses ou direitos e sim que se vai buscar um fundo silencioso, um fundo não formulado e não refletido, isto é, que se procura fazer vir à tona o não-pensado, que existe sob a forma de sentimentos e emoções, de preferências, gostos, aversões e predileções, como se os fatos e os acontecimentos da vida social e política pudessem vir a se exprimir pelos sentimentos pessoais. Em lugar de opinião pública, tem-se a manifestação pública de sentimentos.

Nada mais constrangedor e, ao mesmo tempo, nada mais esclarecedor do que os instantes em que o noticiário coloca nas ondas sonoras ou na tela os participantes de um acontecimento falando de seus sentimentos, enquantolocutores explicam e interpretam o que se passa, como se os participantes fossem incapazes de pensar e de emitir juízo sobre aquilo de que foram testemunhas diretas e partes envolvidas. Constrangedor, porque o rádio e a televisão declaram tacitamente a incompetência dos participantes e envolvidos para compreender e explicar fatos e acontecimentos de que são protagonistas. Esclarecedor, porque esse procedimento permite, no instante mesmo em que se dão, criar a versão do fato e do acontecimento como se fossem o próprio fato e o próprio acontecimento. Assim, uma partilha é claramente estabelecida: os participantes “sentem”, portanto, não sabem nem compreendem (não pensam); em contrapartida, o locutor pensa, portanto, sabe e, graças ao seu saber, explica o acontecimento.

É possível perceber três deslocamentos sofridos pela idéia e prática da opinião pública: o primeiro, como salientamos, é a substituição da idéia de uso público da razão para exprimir interesses e direitos de um indivíduo, um grupo ou uma classe social pela idéia de expressão em público de sentimentos, emoções, gostos e preferências individuais; o segundo, como também observamos, é a substituição do direito de cada um e de todos de opinar em público pelo poder de alguns para exercer esse direito, surgindo, assim, a curiosa expressão “formador de opinião”, aplicada a intelectuais, artistas e jornalistas; o terceiro, que ainda não havíamos mencionado, decorre de uma mudança na relação entre os vários meios de comunicação sob os efeitos das tecnologias eletrônica e digital e da formação de oligopólios midiáticos globalizados (alguns autores afirmam que o século XXI começou com a existência de 10 ou 12 conglomerados de mass media de alcance global). Esse terceiro deslocamento se refere à forma de ocupação do espaço da opinião pública pelos profissionais dos meios de comunicação. Esses deslocamentos explicamalgo curioso, ocorrido durante as sondagens de intenção de voto nas eleições presidenciais de 2006: diante dos resultados, uma jornalista do jornal O Globo escreveu que o povo estava contra a opinião pública!

O caso mais interessante é, sem dúvida, o do jornalismo impresso. Em tempos passados, cabia aos jornais a tarefa noticiosa e um jornal era fundamentalmente um órgão de notícias. Sem dúvida, um jornal possuía opiniões e as exprimia: isso era feito, de um lado, pelos editorais e por artigos de não-jornalistas, e, de outro, pelo modo de apresentação da notícia (escolha das manchetes e do “olho”, determinação da página em que deveria aparecer e na vizinhança de quais outras, do tamanho do texto, da presença ou ausência de fotos, etc.). Ora, com os meios eletrônicos e digitais e a televisão, os fatos tendem a ser noticiados enquanto estão ocorrendo, de maneira que a função noticiosa do jornal é prejudicada, pois a notícia impressa é posterior à sua transmissão pelos meios eletrônicos e pela televisão. Ou na linguagem mais costumeira dos meios de comunicação: no mercado de notícias, o jornalismo impresso vem perdendo competitividade (alguns chamam a isso de progresso; outros, de racionalidade inexorável do mercado!).

O resultado dessa situação foi duplo: de um lado, a notícia é apresentada de forma mínima, rápida e, freqüentemente, inexata – o modelo conhecido como News Letter – e, de outro, deu-se a passagem gradual do jornal como órgão de notícias a órgão de opinião, ou seja, os jornalistas comentam e interpretam as notícias, opinando sobre elas. Gradualmentedesaparece uma figura essencial do jornalismo: o jornalismo investigativo, que cede lugar ao jornalismo assertivo ou opinativo. Os jornalista passam, assim, o ocupar o lugar que, tradicionalmente, cabia a grupos e classes sociais e a partidos políticos e, além disso, sua opinião não fica restrita ao meio impresso, mas passa a servir como material para os noticiários de rádio e televisão, ou seja, nesses noticiários, a notícia é interpretada e avaliada graças à referência às colunas dos jornais.

Os deslocamentos mencionados e, particularmente, este último, têmconseqüências graves sob dois aspectos principais:

1) uma vez que o jornalista concentra poderes e forma a opinião pública, pode sentir-se tentado a ir além disso e criar a própria realidade, isto é, sua opinião passa a ter o valor de um fato e a ser tomada como um acontecimento real ;

2) os efeitos da concentração do poder econômico midiático. Os meios de comunicação tradicionais (jornal, rádio, cinema, televisão) sempre foram propriedade privada de indivíduos e grupos, não podendo deixar de exprimir seus interesses particulares ou privados, ainda que isso sempre tenha imposto problemas e limitações à liberdade de expressão, que fundamenta a idéia de opinião pública. Hoje, porém, os conglomerados de alcance global controlam não só os meios tradicionais, mas também os novos meios eletrônicos e digitais, e avaliam em termos de custo-benefício as vantagens e desvantagens do jornalismo escrito ou da imprensa, podendo liquidá-la, se não acompanhar os ares do tempo.

Esses dois aspectos incidem diretamente sobre a transformação da verdade e da falsidade em questão de credibilidade e plausibilidade. Rápido, barato, inexato, partidarista, mescla de informações aleatoriamente obtidas e pouco confiáveis, não investigativo, opinativo ou assertivo, detentor da credibilidade e da plausibilidade, o jornalismo se tornou protagonista da destruição da opinião pública.

De fato, a desinformação é o principal resultado da maioria dos noticiários nos jornais, no rádio e na televisão, pois, de modo geral, as notícias são apresentadas de maneira a impedir que se possa localizá-la no espaço e no tempo.

Ausência de referência espacial ou atopia: as diferenças próprias do espaço percebido (perto, longe, alto, baixo, grande, pequeno) são apagadas; o aparelho de rádio e a tela da televisão tornam-se o único espaço real. As distâncias e proximidades, as diferenças geográficas e territoriais são ignoradas, de tal modo que algo acontecido na China, na Índia, nos Estados Unidos ou em Campina Grande apareça igualmente próximo e igualmente distante.

Ausência de referência temporal ou acronia: os acontecimentos são relatados como se não tivessem causas passadas nem efeitos futuros; surgem como pontos puramente atuais ou presentes, sem continuidade no tempo, sem origem e sem conseqüências; existem enquanto forem objetos de transmissão e deixam de existir se não forem transmitidos. Têm a existência de um espetáculo e só permanecem na consciência dos ouvintes e espectadores enquanto permanecer o espetáculo de sua transmissão.

Como operam efetivamente os noticiários?

Em primeiro lugar, estabelecem diferenças no conteúdo e na forma das notícias de acordo com o horário da transmissão e o público, rumando para o sensacionalismo e o popularesco nos noticiários diurnos e do início da noite e buscando sofisticação e aumento de fatos nos noticiários de fim de noite. Em segundo, por seleção das notícias, omitindo aquelas que possam desagradar o patrocinador ou os poderes estabelecidos. Em terceiro, pelaconstrução deliberada e sistemática de uma ordem apaziguadora: em seqüência, apresentam, no início, notícias locais, com ênfase nas ocorrências policiais, sinalizando o sentimento de perigo; a seguir, entram as notícias regionais, com ênfase em crises e conflitos políticos e sociais, sinalizando novamente o perigo; passam às notícias internacionais, com ênfase em guerras e cataclismos (maremoto, terremoto, enchentes, furacões), ainda uma vez sinalizando perigo; masconcluem com as notícias nacionais, enfatizando as idéias de ordem e segurança, encarregadas de desfazer o medo produzido pelas demais notícias. E, nos finais de semana, terminam com notícias de eventos artísticos ou sobre animais (nascimento de um ursinho, fuga e retorno de um animal em cativeiro, proteção a espécies ameaçadas de extinção), de maneira a produzir o sentimento de bem-estar no espectador pacificado, sabedor de que, apesar dos pesares, o mundo vai bem, obrigado.

Paradoxalmente, rádio e televisão podem oferecer-nos o mundo inteiro num instante, mas o fazem de tal maneira que o mundo real desaparece, restando apenas retalhos fragmentados de uma realidade desprovida de raiz no espaço e no tempo. Como desconhecemos as determinações econômico-territoriais (geográficas, geopolíticas, etc.) e como ignoramos os antecedentes temporais e as conseqüências dos fatos noticiados, não podemos compreender seu verdadeiro significado. Essa situação se agrava com a TV a cabo, com emissoras dedicadas exclusivamente a notícias, durante 24 horas, colocando num mesmo espaço e num mesmo tempo (ou seja, na tela) informações de procedência, conteúdo e significado completamente diferentes, mas que se tornam homogêneas pelo modo de sua transmissão. O paradoxo está em que há uma verdadeira saturação de informação, mas, ao fim, nada sabemos, depois de termos tido a ilusão de que fomos informados sobre tudo.

Se não dispomos de recursos que nos permitam avaliar a realidade e a veracidade das imagens transmitidas, somos persuadidos de que efetivamente vemos o mundo quando vemos a TV ou quando navegamos pela internet. Entretanto, como o que vemos são as imagens escolhidas, selecionadas, editadas, comentadas e interpretadas pelo transmissor das notícias, então é preciso reconhecer que a TV é o mundo ou que a internet é o mundo.

A multimídia potencializa o fenômeno da indistinção entre as mensagens e entre os conteúdos. Como todas as mensagens estão integradas num mesmo padrão cognitivo e sensorial, uma vez que educação, notícias e espetáculos são fornecidos pelo mesmo meio, os conteúdos se misturam e se tornam indiscerníveis. No sistema de comunicação multimídia a própria realidade fica totalmente imersa em uma composição de imagens virtuais num mundo irreal, no qual as aparências não apenas se encontram na tela comunicadora da experiência, mas se transformam em experiência. Todas as mensagens de todos os tipos são incluídas no meio por que fica tão abrangente, tão diversificado, tão maleável, que absorve no mesmo texto ou no mesmo espaço/tempo toda a experiência humana, passada, presente e futura, como num ponto único do universo.

Se, portanto, levarmos em consideração o monopólio da informação pelas empresas de comunicação de massa, podemos considerar, do ponto de vista da ação política, as redes sociais como ação democratizadora tanto por quebrar esse monopólio, assegurando a produção e a circulação livres da informação, como também por promover acontecimentos políticos de afirmação do direito democrático à participação. No entanto, os usuários das redes sociais não possuem autonomia em sua ação e isto sob dois aspectos: em primeiro lugar, não possuem o domínio tecnológico da ferramenta que empregam e, em segundo, não detêm qualquer poder sobre a ferramenta empregada, pois este poder é uma estrutura altamente concentrada, a Internet Protocol, com dez servidores nos Estados Unidos e dois no Japão, nos quais estão alojados todos os endereços eletrônicos mundiais, de maneira que, se tais servidores decidirem se desligar, desaparece toda a internet; além disso, a gerência da internet é feita por uma empresa norte-americana em articulação com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, isto é, gere o cadastro da internet mundial. Assim, sob o aspecto maravilhosamente criativo e anárquico das redes sociais em ação política ocultam-se o controle e a vigilância sobre seus usuários em escala planetária, isto é, sobre toda a massa de informação do planeta.

Na perspectiva da democracia, a questão que se coloca, portanto, é saber quem detêm o controle dessa massa cósmica de informações. Ou seja, o problema é saber quem tem a gestão de toda a massa de informações que controla a sociedade, quem utiliza essas informações, como e para que as utiliza, sobretudo quando se leva em consideração um fato técnico, que define a operação da informática, qual seja, a concentração e centralização da informação, pois tecnicamente, os sistemas informáticos operam em rede, isto é, com a centralização dos dados e a produção de novos dados pela combinação dos já coletados.

 

 

 

O colapso financeiro nos Estados Unidos

 

Por Argemiro Ferreira/Paul Craig Roberts

 

O colapso financeiro à vista nos EUA

O original inglês saiu em junho no blog do autor, Global Research: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=31272).

O dr. Roberts, professor de Economia, foi no passado Secretário Assistente do Tesouro dos EUA (1981-82, administração Ronald Reagan), Editor Associado do jornal Wall Street Journal e colunista da revista Business Week. Seu último livro nos EUA, How the Economy Was Lost, acaba de ser publicado pela CounterPunch-AK Press. Na Alemanha será lançado ainda este mês Economies in Collapse. Ele escreve regularmente para CounterPunch, a revista do polêmico Alexander Cockburn (sugiro ainda que os leitores confiram o CounterPunch clicando http://www.counterpunch.org/).

Segue o texto.

 

O mistério do dólar resistente

Paul Craig Roberts

 

A questão persiste, a nos desafiar, desde o início da crise financeira e da Flexibilização Quantitativa. Como o Fed (Junta da Reserva Federal) conseguirá manter a taxa zero de juros para os bancos e taxas de juros negativas, reais, para os poupadores e detentores de títulos, se o governo dos EUA está acrescentando, a cada ano, US $ 1,5 trilhão à dívida nacional, com seus déficits orçamentários? Há não muito tempo, o Fed anunciou que pretende insistir nessa política – e ainda vai mantê-la por mais dois ou três anos. Na verdade, o Fed tornou-se prisioneiro dela. Sem as taxas de juros artificialmente baixas, o serviço da dívida (sobre a dívida nacional) seria tão grande que levantaria dúvidas sobre a avaliação de crédito do Tesouro dos EUA, a viabilidade do dólar, e os trilhões de dólares em swaps de taxa de juros – e outros derivativos viriam descolados.

Em outras palavras: desregulamentação financeira levando a jogadas de Wall Street, a decisão do governo dos EUA de socorrer os bancos e mantê-los respirando e a política de taxa zero de juros, do Federal Reseve colocaram o futuro econômico dos EUA e sua moeda numa posição insustentável e perigosa. Não será possível continuar a inundar os mercados de ações com US$ 1,5 trilhão em novos temas a cada ano enquanto a taxa de juro das obrigações é inferior à taxa de inflação. Todo mundo que compra um título do Tesouro está comprando um ativo sofrendo depreciação. Além disso, o risco de capital ao se investir em Treasuries é muito elevado. A baixa taxa de juros significa que o preço pago pelo título é muito alto. Um aumento nas taxas de juros, que terá de vir mais cedo ou mais tarde, vai levar ao colapso do preço dos títulos e impor perdas de capital aos detentores de títulos, tanto nacionais como estrangeiros.

A questão é: quando será esse cedo ou tarde? E o objetivo deste artigo é examinar a questão.

Comecemos por responder à pergunta: como é que uma política tão insustentável conseguiu perdurar tanto tempo?

Um conjunto de fatores está contribuindo para a estabilidade do dólar e do mercado de títulos. Um fator relevante é a situação na Europa. Lá também existem problemas reais, e a imprensa financeira mantém nossa atenção na Grécia, na Europa e no euro. A Grécia deixará a União Europeia, ou será chutada para fora? O problema da dívida soberana se estenderá à Espanha, à Itália e, essencialmente, a toda parte, com exceção da Alemanha e dos Países Baixos?

Será isso o fim da UE e do euro? Todas essas são questões muito dramáticas que mantêm a atenção fora da situação dos Estados Unidos – que é, provavelmente, ainda pior.

O mercado de títulos do Tesouro também é ajudado pelo medo que os investidores individuais têm do mercado de capitais – transformado num cassino, devido à alta frequência dos negócios.

 

Comércio de alta frequência é aquele de transações eletrônicas baseadas em modelos matemáticos que tomam as decisões. Firmas de investimento competem a partir da velocidade dessas decisões, obtendo ganhos de fração de centavo e talvez mantendo posições por apenas uns poucos segundos. Esses não são investidores de longo prazo. Satisfeitos com os ganhos diários, eles fecham todas as posições ao fim de cada dia.

Tais transações de alta frequência constituem hoje 70-80% de todos os negócios em ações. Para os investidores tradicionais, o efeito disso é uma azia desagradável, daí estarem abandonando o mercado de equities. Inseguros quanto à solvência dos bancos, eles acabam por optar pelos títulos do Tesouro; os bancos pagam quase nada pelos depósitos, enquanto os títulos do Tesouro renderão cerca de 2% nominal, o que significa, usando-se o oficial Índice de Preços ao Consumidor, perda de 1% do capital a cada ano. Usando-se a medida correta de inflação de John Williams (shadowstats.com), a perda deles será muito maior. Mesmo assim, a perda seria uns dois pontos percentuais menor do que se estivessem num banco. E mais: ao contrário dos bancos, o Tesouro pode usar o Federal Reserve para imprimir o dinheiro, cobrindo seus títulos. Ou seja, o investimento em títulos pelo menos retorna o valor nominal do investimento, mesmo que seu valor real seja muito menor. (Para uma descrição da High-frequency trading, ver:http://en.wikipedia.org/wiki/High_frequency_trading).

 

A mídia financeira presstitute[1] nos diz que a fuga para os títulos do Tesouro estadunidense da dívida soberana da Europa, do euro condenado e do contínuo desastre imobiliário financia os déficits anuais de US$ 1,5 trilhão em Washington. Sob a influência de tal imprensa financeira, os investidores podem estar respondendo dessa forma. Outra explicação para a estabilidade da política insustentável do Federal Reserve é o conluio entre Washington, Fed e Wall Street. Teremos de acompanhar o desdobramento na medida em que seguir avançando.

Ao contrário dos japoneses, cuja dívida nacional é a maior de todas, os estadunidenses não são donos de sua própria dívida pública. Grande parte da dívida dos EUA tem donos no exterior, em especial na China, no Japão e na OPEP (países exportadores de petróleo). Isso deixa a economia dos EUA em mãos estrangeiras. Se a China, por exemplo, se considerar provocada indevidamente por Washington, poderá despejar nos mercados mundiais até US$ 2 trilhões de seus ativos em dólares estadunidenses. Entrariam em colapso todos os tipos de preços, e o Fed teria de criar rapidamente o dinheiro capaz de cobrir o dumping chinês com instrumentos financeiros com predominância de dólar.

Os dólares impressos para comprar o dumping chinês de ativos em dólar dos EUA ampliariam a oferta de dólares nos mercados de câmbio e reduziriam a taxa de câmbio da moeda. O Fed, na falta de moedas estrangeiras para comprar os dólares, teria de apelar para os swaps de fundos soberanos da Europa endividada-conturbada, por rublos da Rússia cercada pelo sistema antimísseis dos EUA, por ienes do Japão já sobrecarregado de compromisso nos EUA, a fim de trocar os dólares por euros, rublos e iênes.

Estes swaps cambiais estariam registrados nos livros – e, portanto, seriam irresgatáveis, tornando problemático o recurso posterior esses swaps. Em outras palavras: mesmo se o governo dos EUA pudesse pressionar seus aliados e fantoches a trocarem as moedas deles, mais fortes, por moeda estadunidense depreciada, esse não seria um processo repetitivo. Da mesma forma que os BRICS, os integrantes do império estadunidense não sonham em ficar amarrados ao dólar.

Mas para a China, por exemplo, despejar seus dólares de uma só vez seria apenas dispendioso, já que isso iria diminuir o valor dos ativos denominados em dólar, na proporção em que se desse o despejo. A menos que a China tenha de enfrentar um ataque militar dos EUA e precise defender-se do agressor, seria preferível, como um ator econômico racional, desfazer-se lentamente da moeda estadunidense. Da mesma forma como o Japão, a Europa, a OPEP, tampouco gostariam de destruir sua própria riqueza acumulada com os déficits comerciais dos Estados Unidos despejando seus próprios dólares. Mas as indicações são de que todos eles preferem deixar de ser detentores de dólares.

Ao contrário da imprensa financeira dos EUA, os estrangeiros que têm ativos em dólares observam certas coisas com preocupação: o orçamento atual dos EUA e os déficits comerciais do país; a deterioração da economia estadunidense; as jogadas arriscadas e sem cobertura; os planos hegemônicos enganosos. Diante do quadro, concluem: "Preciso sair cautelosamente disso tudo".

Também os bancos estadunidenses têm forte interesse em preservar o status quo. Não apenas têm títulos do Tesouro dos EUA: potencialmente são os maiores detentores desses títulos. Podem tomar emprestado do Fed, a taxa zero de juros, e adquirir Treasuries de 10 anos a 2%, obtendo assim lucro nominal de 2% para compensar perdas em derivativos. Os bancos podem tomar emprestados dólares do Federal Reserve, grátis, e alavancá-los em transações com derivativos. Como observou Nomi Prins, os bancos estadunidenses não querem negociar contra eles próprios e suas livres fontes de recursos através da venda de seus haveres em títulos. Ao mesmo tempo, na eventualidade de fuga dos dólares de estrangeiros, o Fed poderia reforçar a demanda externa de dólares, exigindo que os bancos estrangeiros que queiram operar nos EUA elevem o total de suas reservas, que são lastreadas em dólar.

Eu poderia continuar, mas creio ser isso suficiente para mostrar que até mesmo atores no processo que poderiam sustá-lo percebem o interesse deles próprios em não balançar o barco. Preferem optar por uma retirada tranquila e lenta dos dólares, antes de estourar a crise.

Isso não é possível indefinidamente. O próprio processo de retirada gradual dos dólares tenderia a causar pequenos e contínuos declínios no valor da moeda – o que culminaria num rush para sair. Mas os estadunidenses não são as únicas pessoas iludidas.

O próprio processo da retirada lenta pode pôr abaixo a casa dos EUA. Os BRICS – Brasil, maior economia da América do Sul; Rússia, detentora de armas nucleares e economia independente de energia, da qual depende a Europa Ocidental (formada por fantoches da OTAN de Washington); Índia, nuclearmente armada e um dos dois gigantes em ascensão na Ásia; China, nuclearmente armada e maior credor de Washington (depois do Fed), fornecedora dos EUA em produtos manufaturados e de tecnologia avançada, além de novo bicho-papão a ser usado na próxima guerra fria lucrativa pelo complexo militar-industrial; e África do Sul, a maior economia da África – estão no processo de fundação de um novo banco. O novo banco permitirá às cinco grandes economias conduzir seu comércio sem usar dólares estadunidenses.

Além disso, o Japão – um estado fantoche dos EUA desde a II Guerra Mundial – está a ponto de entrar num acordo com a China, pelo qual o iên japonês e o yuan chinês serão objeto de intercâmbio direto. O comércio entre os dois países asiáticos será então realizado nas próprias moedas deles, sem a utilização dos dólares estadunidenses. Isso vai reduzir o custo do comércio exterior entre os dois países, pois eliminará o pagamento de comissões cambiais na conversão de yen e yuan em dólares – não uma, mas duas vezes.

Ao mesmo tempo, essa explicação oficial para o novo relacionamento direto, evitando o dólar estadunidense, é simplesmente a diplomacia falando. Os japoneses estão esperando, como os chineses, para sair da prática de acumular dólares cada vez mais por ter de estacionar seus excedentes comerciais em Treasuries – os títulos do Tesouro dos EUA. O governo japonês fantoche dos EUA espera que a Washington hegemônica não exija que o Japão ponha fim ao entendimento com a China.

Chegamos assim ao âmago da questão[2]. A pequena percentagem de americanos conscientes e informados fica intrigada pelo fato de os banqueiros escaparem, sem sequer serem processados ou mesmo importunados por seus crimes financeiros. A explicação poderia ser esta: os bancos "grandes demais para quebrar" são coadjuvantes de Washington e do Federal Reserve na manutenção da estabilidade do dólar – e dos mercados de títulos do Tesouro – face à política insustentável do Fed.

Vejamos primeiro como os grandes bancos podem manter baixas as taxas de juros dos Treasuries (títulos do Tesouro), inferior à taxa da inflação apesar do aumento constante da dívida dos EUA como percentagem do PIB – assim preservando a capacidade do Tesouro de pagar o serviço da dívida. Os bancos do grupo "grandes demais para quebrar" ameaçados têm um enorme interesse em taxas de juros baixas e no sucesso da política do Fed. Esses bancos grandes estão posicionados para tornar a política do Fed um sucesso. O JP Morgan Chase e outros bancos tamanho-gigante podem reduzir as taxas de juros do Tesouro e, assim, elevar os preços dos bônus, fazendo uma jogada, através da venda de swaps da taxa de juros (IRSwaps).

Uma empresa financeira que vende IRSwaps está na verdade vendendo um acordo para pagar taxas de juros flutuantes como taxas de juros fixas. O comprador está adquirindo um acordo que exige dele pagar uma taxa fixa de juros em troca de receber uma taxa flutuante. A razão que leva um vendedor a pegar o atalho do IRSwap, isto é, a pagar por uma taxa flutuante como se fosse taxa fixa, é a sua crença de que as taxas vão cair. O atalho pode fazer as taxas cairem e, assim, elevar os preços dos Treasuries. Quando isso acontece, como ilustram os gráficos emhttp://www.marketoracle.co.uk/Article34819.html, ocorre uma corrida no mercado de títulos do Tesouro – aquilo que a mídia financeira presstituteatribui à "fuga para o porto seguro do dólar dos EUA e dos bônus do Tesouro." De fato, a evidência circunstancial (veja os gráficos no mesmo link acima) é que os swaps são vendidos por Wall Street sempre que o Federal Reserve precisa evitar um aumento das taxas de juros a fim de proteger a sua política (sem isso ela seria insustentável). As vendas de swaps criam a impressão de um voo para o dólar, mas na realidade não ocorre voo algum. Como os IRSwaps não requerem troca de qualquer ativo principal ou real e são apenas uma aposta em movimentos da taxa de juros, não há limite para o volume de IRSwaps.

Para alguns observadores, esse aparente conluio sugere que o motivo pelo qual os banqueiros de Wall Street ainda não foram processados por seus crimes é que eles são parte essencial da política do Federal Reserve para preservar o dólar estadunidense como moeda mundial. Possivelmente o conluio do Federal Reserve com os bancos é organizado, mas sequer teria de ser assim. Os bancos são beneficiários da política de taxa de juros zero, conduzida pelo Fed. É do interesse dos bancos apoiá-la. O conluio organizado não é necessário.

Passemos agora às barras de ouro e de prata. Com base numa análise sólida, Gerald Celente e outros talentosos videntes previram que o preço do ouro seria de US$ 2.000 por onça até o final do ano passado. Barras de ouro e prata continuaram em 2011 a sua ascensão de uma década, mas em 2012 os preços do ouro e da prata despencaram. E o valor do ouro ficou US$350 menor, por onça, do que seu melhor preço, US$ 1.900.

Diante da análise que tenho apresentado, qual a explicação para a reviravolta nos preços do lingote de ouro? A resposta, de novo, é curta. Algumas pessoas familiarizadas com o setor financeiro acreditam que o Federal Reserve (e talvez também o Banco Central Europeu) coloca vendas a descoberto de ouro através dos bancos de investimento, garantindo quaisquer perdas ao pressionar uma peça no teclado do computador – como se os bancos centrais fossem capazes de transformar o ar em dinheiro.

Ouvi de gente informada que, como uma percentagem pequena de pessoas do lado comprador, nas vendas curtas, realmente prefere receber a entrega em barras de ouro e prata, e a maioria se contenta com o arranjo financeiro em dinheiro, não há limite para a venda a descoberto de ouro e prata. A venda a descoberto pode realmente exceder a quantidade existente conhecida de ouro e prata.

Algumas pessoas que têm acompanhado o processo há anos acreditam que a venda a descoberto dirigida pelo governo já ocorre há um longo tempo. Mesmo sem a participação do governo, os bancos podem controlar o volume do comércio de títulos em ouro e lucram com as operações. A venda a descoberto tornou-se recentemente tão agressiva que não apenas retarda a elevação dos preços do ouro, mas puxa o preço para baixo. Será essa agressividade um sinal de que o sistema equipado está próximo de ser "descolado"?

Em outras palavras: "nosso governo", o governo que supostamente nos representa, mais do que os poderosos interesses privados que o elegem (com multimilionárias contribuições de campanha, agora legitimadas pela Supremo Tribunal sob controle republicano), está fazendo o que pode para privar a nós, meros cidadãos, escravos, servos e "extremistas domésticos", de nos proteger e proteger a riqueza que nos resta depois da política monetária de libertinagem do Federal Reserve. A venda a descoberto, sem a intermediação do dólar, impede que a crescente demanda do lingote físico aumente o preço do ouro.

Jeff Nielson explica outro expediente para que os bancos possam vender lingotes de ouro mesmo se não tiverem lingotes (leia em http://www.gold-eagle.com/editorials_08/nielson102411.html). Nielson diz que o JP Morgan é o guardião, há muito tempo, do maior fundo de prata, sendo ainda o maior "vendedor a descoberto" de prata. Sempre que o fundo de prata aumenta suas participações de ouro, o JP Morgan reduz o montante equivalente. As vendas a descoberto compensam a elevação do preço que resultaria do crescimento da demanda de prata física. Nielson também relata que os preços de ouro podem ser suprimidos mediante aumento de exigências marginais àqueles que compram ouro com alavancagem. A conclusão é que os mercados de ouro podem ser manipulados, assim como o mercado de letras do Tesouro e as taxas de juros.

Por quanto tempo ainda podem continuar tais manipulações? Quando será que uma proverbial boca no trombone vai dar um basta e bater o martelo?

Se fôssemos capazes de precisar a data, claro, seríamos os próximos megabilionários.

Eis aqui alguns dos catalisadores à espera da ignição que vai acender o incêndio e queimar o mercado de títulos do Tesouro e o dólar estadunidense:

Uma guerra com o Irã, exigida pelo governo de Israel, começando na Síria, para interromper o fluxo de petróleo e, consequentemente, a estabilidade das economias ocidentais ou atolar os EUA e seus frágeis fantoches da OTAN num conflito armado com a Rússia e a China. O estrago do petróleo iria degradar ainda mais as economias dos EUA e da União Europeia, mas Wall Street continuaria a lucrar com seus negócios.

Uma estatística econômica desfavorável teria o mérito de acordar os investidores para a realidade da economia dos EUA. Uma estatística, claro, que a mídia presstitute não seja capaz de distorcer.

Uma afronta à China, com o governo chinês decidindo empurrar mais para baixo os EUA, até o estágio humilhante de Terceiro Mundo, o que vale um trilhão de dólares.

Mais erros e trapalhadas com derivativos, como o mais recente do JP Morgan Chase. Deixando cambaleante, outra vez, o sistema econômico dos EUA, eles nos lembram de que nada mudou.

A lista é longa. Há um limite para o número de erros estúpidos e políticas financeiras corruptas que o resto do mundo está disposto a aceitar da parte dos EUA. Quando esse limite for ultrapassado, será o fim para a "única superpotência do mundo" e para os detentores de instrumentos denominados em dólar.

A desregulamentação financeira transformou o sistema financeiro, que anteriormente servia a negócios e consumidores, num cassino onde a jogatina e as apostas não são cobertas. Apostas sem cobertura, juntamente com a política da taxa de juros zero, do Fed, expuseram o padrão de vida e a riqueza dos estadunidenses a enorme decadência. Idosos aposentados que viviam de suas poupanças e investimentos – IRAs e 401 (k)s[3]– nada podem ganhar com o dinheiro deles e são forçados a consumir o próprio capital, privando os herdeiros das heranças. A riqueza acumulada está consumida.

Em consequência da exportação de empregos para o exterior, os EUA tornaram-se um país dependente de importações. Depende de bens manufaturados produzidos em outros países, como roupas e sapatos. Quando a taxa de câmbio fizer o dólar cair, os preços domésticos nos EUA vão subir, e o consumo real do país dará um grande salto. Os americanos, então, passarão a consumir menos. E o padrão de vida cairá bruscamente.

As graves consequências dos erros enormes feitos em Washington, em Wall Street e nos escritórios corporativos são mantidos à distância pela política insustentável das baixas taxas de juros e da omissão da imprensa financeira corrupta, enquanto a dívida cresce vertiginosamente. O Fed passou por essa experiência antes. Durante a II Guerra Mundial, o Federal Reserve manteve baixas as taxas de juros. Isso foi feito para ajudar as finanças do Tesouro em meio ao conflito, minimizando a carga de juros da dívida de guerra. O Fed manteve baixas as taxas de juros, comprando os papéis da dívida. A inflação no pós-guerra, resultante disso, levou em 1951 ao acordo entre o Federal Reserve e o Tesouro. Ficou então acertado entre eles que o Federal Reserve deixaria de "monetizar" – converter em dinheiro – a dívida e permitiria a elevação das taxas de juros.

O atual presidente do Fed, Ben Bernanke, falou de uma "estratégia de saída". Disse que, quando a inflação ameaçar, ele poderá detê-la tomando o dinheiro de volta do sistema bancário. No entanto, ele só poderia fazer isso se vendesse títulos do Tesouro, o que significaria elevação das taxas de juros. Aumento das taxas de juros pode ameaçar a estrutura derivativa, causar perdas de títulos, e elevar o custo tanto do serviço da dívida privada, tanto quanto da pública. Em outras palavras, evitar a inflação com a monetização da dívida traria mais problemas imediatos do que a inflação. Ao invés de fazer o sistema entrar em colapso, não seria mais inteligente o Fed soprar para longe as dívidas maciças?

A inflação, eventualmente, iria corroer o poder de compra e o uso como moeda de reserva do dólar, fazendo ainda definhar o conceito de credibilidade do governo dos EUA. No entanto, o Fed, os políticos e os gangsters financeiros iriam preferir uma crise mais tarde do que mais cedo. Atrasar o relógio de um navio afundando é preferível a afundar com ele. Enquanto puderem usarswaps de taxa de juros para empurrar os preços dos títulos do Tesouro, e enquanto puderem usar lingotes sem ouro para impedir aumento dos preços de ouro e prata, a falsa imagem dos EUA como porto seguro para os investidores pode ser perpetuada.

No entanto, os US$ 230.000.000.000.000 em apostas com derivativos dos bancos estadunidenses ameaçam trazer suas próprias surpresas. O JPMorgan Chase teve de admitir que a sua perda em derivativos, anunciada recentemente como de US$ 2 bilhões, é maior do que isso. E o que mais, muito mais, está para ser revelado? De acordo com a Controladoria da Moeda, os cinco maiores bancos detêm 95,7% de todos os derivativos. Os cinco bancos detentores de 226 trilhões de dólares em apostas com derivativos são jogadores altamente alavancados. Por exemplo, o JPMorgan Chase tem ativos totais de US$ 1,8 trilhão, mas detém US$ 70 trilhões em apostas com derivativos – uma relação de US$ 39 em apostas com derivativos para cada dólar de ativos. Um banco nessa situação não tem de perder muitas apostas mais antes de estar arrebentado.

Ativos, claro, não são capital baseado em risco. De acordo com relatório da Controladoria da Moeda em 31 de dezembro de 2011, o JPMorgan Chase mantém US$ 70,2 trilhões em derivativos e apenas US$ 136 bilhões em capital baseado em risco. Em outras palavras, as apostas do banco em derivativos são 516 vezes maiores do que o capital que cobre tais apostas.

É difícil imaginar uma posição mais imprudente e instável para um banco se colocar, mas a Goldman Sachs vai ainda mais além. Os US$ 44 trilhões em apostas com derivativos desse banco estão cobertos por apenas US$ 19 bilhões de capital baseado em risco, o que aponta apostas 2.295 vezes maiores do que o capital que as cobre.

As apostas em taxas de juros compreendem 81% de todos os derivativos. São esses os derivativos que suportam os altos preços dos títulos do Tesouro dos EUA, apesar dos aumentos maciços da dívida dos EUA e sua monetização (transformação em moeda).

As apostas de US$ 230 trilhões de dólares em derivativos nos bancos estadunidenses, concentradas em cinco grandes bancos, são 15,3 vezes maiores do que o PIB dos EUA. Um sistema político falido que permite a bancos não regulamentados apostas a descoberto 15 vezes maiores do que a economia dos EUA é um sistema a caminho de falência catastrófica. Como se generalizam as suspeitas sobre a fantástica falta de discernimento nos sistemas políticos e financeiros estadunidenses, a catástrofe anunciada vai se tornar realidade.

Todo mundo quer uma solução, então vou oferecer uma. O governo dos EUA deve simplesmente cancelar os US$ 230 trilhões de dólares em apostas com derivativos, declarando-os sem validade, efeito ou valor. Como não estão envolvidos ativos reais, apenas jogatina em valores imaginários, conceituais, o único efeito maior do fechamento ou soma de todos os swaps(principalmente contratos não ortodoxos entre contrapartes) seria o de tirar US$ 230 trilhões de risco alavancado fora do sistema financeiro. Os gangsters financeiros, que querem continuar a usufruir os ganhos com apostas, enquanto o público subscreve as perdas deles, iriam gritar e espernear, a pretexto da santidade dos contratos. Mas um governo que pode assassinar seus próprios cidadãos ou jogá-los em masmorras sem o devido processo legal pode abolir todos os contratos que quiser em nome da segurança nacional. E certamente, ao contrário da guerra contra o terror, expurgar o sistema financeiro dos derivativos da jogatina iria melhorar muito a segurança nacional.

[1] A palavra inventada pelo autor para a mídia financeira junta sarcasticamente press (imprensa) e prostitute (prostituta). (Nota do tradutor)

[2] O autor recorre à expressão inglesa "nitty and gritty", tão popular que até batizou um grupo de rock, mas sem correspondente em português. "Nitty" é "lendeoso", de lêndea; "gritty" é "areoso" (de areia). (N. do T.)

[3] Clique http://en.wikipedia.org/wiki/401(k)_IRA_matrix para saber mais, no Wikipedia (em inglês) sobre IRAs e 401 (k) s. (N. do T.)

 

 

10 Fatos chocantes sobre os EUA

Os Estados Unidos têm a maior população prisional do mundo, compondo menos de 5% da humanidade e mais de 25% da humanidade presa. Em cada 100 americanos 1 está preso.

A subir em flecha desde os os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controlo social: À medida que o negócio das prisões privadas alastra como gangrena, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são também na prática donos de escravos, que trabalham nas fábricas no interior prisão por salários inferiores a 50 cêntimos por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões camarárias, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar pastilha elástica. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres mas sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional do país.

22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.

Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade económica de satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.

 

Entre 1890 e 2012 os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.

São mais os países do mundo em que os EUA intervieram militarmente do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de 8 milhões de mortes causadas pelos EUA só no século XX. E por detrás desta lista escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA têm neste momento a decorrer mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo. O mesmo presidente, criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, batendo de longe George W. Bush.

Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.

Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos pela empresa, é prática corrente que as mulheres americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes nem depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença de maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia com 0 semanas.

125 americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de acesso à saúde.

Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de americanos não têm), então, tem boas razões para recear mais a ambulância e os cuidados de saúde que lhe vão prestar, que esse inocente ataquezinho cardíaco. Com as viagens de ambulância a custarem em média 500€, a estadia num hospital público mais de 200€ por noite, e a maioria das operações cirúrgicas situadas nas dezenas de milhar, é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e como o nome indicam, terá a oportunidade de se endividar até às orelhas e também a oportunidade de ficar em casa, fazer figas e esperar não morrer desta.

Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias, foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo americano.

Esqueçam a história do Dia de Acção de Graças, com índios e colonos a partilhar placidamente o mesmo peru à volta da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições actuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmo imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA puseram em marcha um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito num língua que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo a levar a cabo esterilizações forçadas ao abrigo de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e mais tarde contra negros e índios.

Todos os imigrantes são obrigados a jurar não ser comunistas para poder viver nos EUA.

Para além de ter que jurar que não é um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão-lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do “Partido Comunista”, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada “terrorista”. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, ser-lhe-á automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.

O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 000 dólares.

O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente todos os estudantes têm dívidas astronómicas, que acrescidas de juros, levarão em média 15 anos a pagar. Durante esse período os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e ainda assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel-prazer, sem o consentimento ou sequer a informação do devedor. Num dia deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juro e no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes americanos ascendeu a 1.5 triliões de dólares, subindo uns assustadores 500%.

Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada 10 americanos, há 9 armas de fogo.

Não é de espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior colecção de armas. O que surpreende é a comparação com o resto do mundo: No resto do planeta, há 1 arma para cada 10 pessoas. Nos Estados Unidos, 9 para cada 10. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, qualquer coisa como 275 milhões. E esta estatística tende a se extremar, já que os americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.

São mais os americanos que acreditam no Diabo que os que acreditam em Darwin.

A maioria dos americanos são cépticos; pelo menos no que toca à teoria da evolução, em que apenas 40% dos norte-americanos acredita. Já a existência de Satanás e do inferno, soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-candidato Rick Santorum, que acusou os académicos americanos de serem controlados por Satã.


 

 

Liberdade de Imprensa

Altos Toques de Ética e Moral I

por Francisco Antônio de Andrade Filho

Imagem Activa É a primeira aula de Filosofia sobre liberdade em sua dimensão ética e moral para os seguidores do DEM & PSDB & PIG.

Aqui, pretendo construir  um agradável diálogo com eles. Com alguns toques de ética e moral, em  discussão, desejo despertar neles as virtudes da liberdade de imprensa.

 

 

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Toque Um – Para iniciar o debate, pergunto: O que é o bem? O que é o mal? O que é ética? O que são as virtudes da confiança, do respeito e da integridade pessoal? Em seus meios de Comunicação, vocês cultivam valores morais e éticos? O Partido da Imprensa Golpista investe mesmo nos partidos da oposição? Com que interesse econômico agem assim? O DEM e o PSDB, entre outros, pagam a vocês para destruir a riqueza social produzida pelo atual Governo Lula? Que projetos políticos vocês produziram em benefício da cidadania brasileira? Acreditam no PAC, respeitam Minha Casa/Minha Vida? À luz da Ideologia, vocês camuflam a verdade? Têm medo da Soberania Popular que desperta confiança e segurança no poder com ética e moral de Lula, Dilma e a base desse governo?

Toque dois – Há uma palavra grega, que explica o sentido etimológico da concepção de ética com justiça: “ethos”. Significa “domicílio”, moradia, o abrigo permanente, o país onde alguém habita, a casa onde se mora, as Instituições, onde se constrói, pelo trabalho, a riqueza social, política e econômica; a prática da ética profissional em jornalismo e a felicidade do gênero humano.

Toque três – Por ética, então, entendemos todo esforço do espírito humano para formular juízos tendentes a iluminar a conduta das pessoas, sob a luz de um critério de bem e de justiça. Enquanto isso, a moral é um conjunto de normas que orientam o comportamento humano tendo como base os valores próprios a uma dada comunidade. A casa/ética se dá sempre no singular: é a exigência do ser humano de habitar humanamente seu mundo. As morais se dão sempre no plural, porque as formas e modo de habitar o mundo são múltiplos e diferentes.

Toque quatro – E o que são virtudes? Significa a qualidade ou a ação digna do homem. É a prática constante do bem, correspondendo ao uso da liberdade com responsabilidade. É o hábito de viver bem com outras virtudes, por exemplo, da confiança, do respeito, da integridade.

Toque cinco – E para vocês – amantes deste site e dos demais espaços cibernéticos -, motivados pela construção da liberdade, ofereço mais dois toques. No bom combate da liberdade, assumamos o poder da responsabilidade ética e em busca da verdade que nos liberta, indico-lhes
mais três toques:

Toque seis – A ética tem a função de imprimir uma direção na vida, de mostrar estilos de vida. Ela é uma espécie de bússola que aponta os caminhos de realização pessoal e os perigos da autodestruição. A ética tem uma função de advertência: mostrar aos profissionais da comunicação, por exemplo, o caminho de construção ou destruição do homem. Ela também é um esforço de superação de conflitos inerentes à convivência com o mundo.

Toque sete – Pensa-se ainda hoje, que a atitude ético-virtuosa designa a maneira de ser “habitual”, o caráter, a disposição da alma. Caráter é marca. Sigilo, timbre ou disposição interna da vontade que a inclina a agir habitualmente, de determinada maneira. “Hábito”, para o bem ou para o mal, virtuoso ou vicioso. Ninguém nasce ético, confiante, único e íntegro.

Toque oito – E sobre isso, penso: quando a consciência moral dos indivíduos for mais cultivada, quando os indivíduos possuírem critérios próprios, a ética interiorizar-se-á. As virtudes da confiança, do respeito às pessoas e a integridade brotarão fortes no mundo das empresas no Congresso Nacional, na Blogosfera. Na Mídia. E a verdade libertará a perversidade PIG.

Para você ler e conhecer outras grandes filosofadas do Francisco Andrade: http://www.orecado.org/2012/03/mulher-corajosa-destaques-de-leitura/

 

 

 

Os Doutores do Pessimismo

MARCELO COELHO

Será chamado de ingênuo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que vive.

Não é preciso ser um grande gênio para constatar que vivemos num mundo bárbaro.

Que o ser humano é capaz das maiores atrocidades. Que a vida é feita de competição, inveja, egoísmo e crueldade.

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Ninguém precisa ter vivido num campo de prisioneiros na Sibéria nem ter sido moleque de rua no Capão Redondo para saber disso. Mas virou moda entre muitos intelectuais e jornalistas anunciar uma espécie de “visão trágica” do mundo, como se se tratasse da mais surpreendente novidade.

Com certeza, há nisso uma reação saudável contra o excesso de otimismo. Durante o século 20, grande parte da esquerda não quis ver as barbaridades cometidas por Stálin e Mao porque, em última instância, “tudo iria dar certo”. Belas esperanças tornaram-se pretexto para atos de horror. Nada mais correto do que denunciar o horror.

O que me parece estranho é que, mais do que denunciar o horror, esses pensadores trágicos e jornalistas sombrios gostam de destruir as esperanças.

O reconhecimento do Mal, a crítica à violência da esquerda, a percepção de que ninguém é “bonzinho” e de que a realidade é uma coisa dura e feia vão se transformando em algo próximo do fascínio.

E, com diferentes níveis de elaboração e de cortesia pessoal, esses autores tendem a fazer do fascínio uma estratégia de choque.

Quanto mais chocarem o pensamento corrente (que considera ruim bombardear crianças e bom defender a Amazônia, por exemplo) mais ganharão em originalidade, leitura e cartas de protesto. Parece existir uma competição nas páginas dos jornais e na internet para ver quem conseguirá ser o mais “durão”, o mais “realista”, o mais desencantado.

Há diferenças notáveis de atitude e de opinião entre pessoas como Luiz Felipe Pondé, João Pereira Coutinho, Demétrio Magnolli ou Reinaldo Azevedo. Mas é um time e tanto, e minha experiência pessoal com a violência do ser humano, adquirida nos pátios de recreio do ginásio, é suficiente para não querer polemizar com alguns deles.

Não vou, portanto, individualizar as minhas críticas. Mas, de modo geral, os “durões” do mundo opinativo parecem correr um mesmo risco. A crítica às utopias do século 20 faz sentido, com certeza, mas termina funcionando para justificar muitos erros e abusos do presente - desde que sejam suficientemente “não-utópicos”. Será chamado de ingênuo ou nostálgico todo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que se vive.

Nem todos os “durões” de que falo abdicam desse “melhorismo”. Mas ai de quem tiver ideias um pouquinho mais à esquerda do que as deles - o que não é difícil.

Às vezes, a crítica ao stalinismo se compraz em tornar stalinista quem se afaste um milímetro das opiniões de quem a professa. Outras vezes, a crítica às velhas utopias tende a se transformar numa glorificação da realidade.

Curiosamente, então, aquilo que deveria ser ponto de partida se torna ponto de chegada. O mundo é horrível e a realidade é cruel. É um ingênuo quem quiser mudar essa situação. O horror e a crueldade fazem parte da paisagem. Melhor assim, quem sabe: nós, pelo menos, tiramos disso a satisfação de não sermos ingênuos.

Você está esperançoso com a vitória de Obama? Ouço um risinho: que otário. Mas fico feliz de nunca ter sido otário a respeito de Bush. Você se choca com as crianças mortas em Gaza? Ouço um risinho: os militares israelenses entendem mais do problema que você.

Você quer que se preservem as reservas indígenas da Amazônia? Mais um risinho: os militares brasileiros entendem mais do problema que você, que pensa ser bonzinho mas é tão malvado como todos nós.

Pois o ser humano é mau, desgraçado e infeliz, desde que foi expulso do Paraíso. Você não sabe disso?

O que sei é algumas pessoas foram expulsas do Paraíso para morar numa mansão em Beverly Hills, e outras para morar em Darfur. Todo o poder aos poderosos, toda realidade aos realistas, e todas as bombas para quem ficar no meio do caminho. Eis o resumo da atitude dos “durões”. Mas quem precisa de articulistas num mundo desses? Os militares dão conta do recado.

 

 - O -

 

Sei que é muito difícil remar contra a maré, mas podemos ao menos tentar, antes que não tenha mais jeito. De uns tempos para cá, não sei precisar exatamente o dia e a hora, mas começou a se formar uma onda de mau humor no país, um tsunami de coisa ruim e cara feia que vai atingindo todo mundo em todas as latitudes.

Na luta contra a onda de mau humor

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O vento virou de repente. Basta sair á rua, ver as notícias na banca de jornais, entrar no táxi, olhar para as pessoas nos pontos de ônibus, encarar uma fila no banco ou no supermercado. Parece que está todo mundo de cara amarrada, só esperando pelo pior.

Que se passa? Daqui a pouco as pessoas nem vão mais se perguntar se está “tudo bem”, já vão logo soltando os cachorros para mostrar que vai “tudo mal”. Em alguns ambientes, pega até mal dar risada ou querer fazer uma brincadeira. “Está rindo do quê”? São tantas tragédias, crises, desgraças e ameaças que estamos ficando proibidos de sorrir.

Fica difícil saber se o problema é individual ou coletivo ou as duas coisas juntas, mas a culpa certamente deve ser do governo, qualquer governo. O fato é que se tanta gente está insatisfeita, é preciso fazer alguma coisa, sei lá, trocar de roupa, de emprego, de namorado ou namorada, de boteco, de carro ou de prédio.

No meu caso, trocar de prédio já ajudaria muito porque vivo em meio a uma obra interminável de reforma da fachada, fora várias outras nos apartamentos, e com um vizinho de cima que parece estar de mudança todos os dias. O barulho é full-time.

Que fazer? Já estou usando tampão nos ouvidos, já fiz apelos aos sentimentos humanos dos vizinhos, só me resta pedir socorro à sociedade protetora dos animais, quem sabe ajuda.

Boa notícia é coisa tão rara ultimamente que já vão logo nos avisando, mas sempre com uma ressalva: “Boa notícia atrasada”, informa a Folha sobre a abertura da estação Pinheiros do Metrô de São Paulo, no próximo dia 16, mais de cinco anos após o início da obra.

Podem reparar: quando sai uma notícia boa, vem sempre acompanhada de um mas:

“Muito sol nesta quarta feira, mas pode chover à tarde…”.
“Inflação começa a cair, mas pode voltar a subir”.
“Cai o nível de desemprego, mas ainda faltam postos de trabalho”.
“País cresce, mas pode ter problemas nos aeroportos…”, e por aí vai...

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Pegue qualquer noticiário de rádio ou TV e veja quanto tempo passa até que se fale de alguma coisa boa, divertida, prazerosa, engraçada ou bonita, que tenha acontecido em algum lugar do mundo.

Esta semana, ainda bem, pelo menos temos o casamento dos príncipes para espantar um pouco o mau humor do noticiário. Mas até disso já tem gente reclamando. “Que exagero!… E o que eu tenho a ver com isso? Nem fui convidado…”.

Ficamos assim, então: o Balaio convoca seus fiéis leitores para entrarmos todos na luta contra o mau humor. Não custa nada, e mal não vai fazer, garanto.

Alguém aí tem uma receita?

Do Ricardo Kotscho

 

 

 

Meu filho: vire-se!

 

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

 Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

 

Texto da jornalista Eliane Brum. Enviado por luisnassif

 

A história oculta do sionismo.

 

Ralph Schoenman

O escritor, de origem judaica, pede o fim de toda a ajuda ao Estado de Israel e acusa: “A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas”. 

Ralph Schoenman foi diretor-executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russel,papel através do qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado. Com seu trabalho assegurou a libertação de prisioneiros políticos em muitos países e fundou o Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra dos Estados Unidos na Indochina, organização da qual foi secretário-geral. Velho militante, fundou o Comitê dos 100, que organizou a desobediência civil massiva contra as armas nucleares e as bases americanas na Grã-Bretanha. Foi também fundador e diretor da Campanha de Solidariedade ao Vietnã e diretor do Comitê “Quem Matou Kennedy?” Tem sido líder do Comitê por Liberdade Artística e Intelectual no Irã e co-diretor do Comitê em Defesa dos Povos Palestino e Libanês e do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos. Atualmente é diretor executivo da Campanha Palestina, que clama pelo fim de toda ajuda a Israel e por uma Palestina laica e democrática.

Em seu livro The Hidden History of Zionism (A História Oculta do Sionismo),ele descreve quatro mitos sobre a história do sionismo:

Schoenman – O primeiro mito é o da “terra sem povo para um povo sem terra“.

Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram para o mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nômades; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e trabalhava.

Schoenman – O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelense. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático no estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários.

Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelenses ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem nenhuma indenização. Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina.

Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra.

Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do caráter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista.

A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais.

O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas dos EUA. Mas há uma exceção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais.

O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial? A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente Médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelense.

O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se “alimentado” da mortandade coletiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazista na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas.

Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar o establishment, o statu quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas.

Schoenman – Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de que o movimento sionista lutou ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países.

Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã- Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina.

Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irônico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com os nazistas.

 

 

 

O ocidente está preso em sua própria propaganda.

by Paul Craig Roberts

Thursday, May 12, 1011

 

Um dos desejos que os leitores freqüentemente expressam a mim tornou-se realidade hoje (11 de maio). Eu estava na grande mídia. Era um programa com um alcance mundial - a BBC World Service. Havia, também, outras pessoas no programa e o tema era as observações de Hillary Clinton (10 de maio) sobre a falta de democracia e de direitos humanos na China.

Eu assustei o apresentador do programa, quando eu considerei as observações de Hillary Clinton como o roto falando do esfarrapado. Surpreendeu-me a velocidade do apresentador do programa britânico da BBC em fazer a defesa dos Estados Unidos e questionar-me durante o andamento do programa.

Com certeza, ele tinha ouvido falar sobre Abu Ghraib, os detentos de Guantánamo, prisões secretas com tortura da CIA  espalhadas ao redor do mundo, invasão e destruição do Iraque com base em mentiras e enganos, Afeganistão, Paquistão, Iêmen, Somália, Líbia. Com certeza, ele estava ciente da hipocrisia de Hillary quando ela demonizou a China, mas fechou os olhos a Israel, Mubarak, Bahrein e Arábia Saudita. O histórico da China não é perfeito, mas é assim tão mau? Por que  o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros não estava criticando as violações dos direitos e as eleições manipuladas na America? Como pode a China se preocupar com seu próprio negócio e nós não?

Estas perguntas não desceram bem. Nenhum dos outros entrevistados ou convidados pensavam que Hilary tinha feito uma boa citação, mas mesmo os convidados chineses não estavam livres da mentalidade comum que enquadra todas as questões ao principio em que o Ocidente é o padrão pelo qual o resto do mundo é julgado. Ao apontar nossos próprios defeitos, eu estava desafiando o padrão. O anfitrião e demais convidados não puderam escapar das restrições impostas pelo pensamento que tem como regra o Ocidente como padrão mundial.

O que aconteceu com o Ocidente é que ele, apenas, enxerga a si mesmo e aos outros através dos olhos de sua própria propaganda. Houve muita conversa sobre a falta de democracia na China. Enquanto o programa da BBC estava sendo transmitido, as notícias informavam que os gregos tinham saído novamente às ruas para protestarem contra os custos do resgate dos bancos e de Wall Street - os ricos – que estavam impondo às pessoas comuns, em detrimento de suas vidas e aspirações. O governo irlandês anunciava que confiscaria  através de taxas de impostos uma parte das acumulações da pensão do povo irlandês. Simplesmente não ocorreu ao anfitrião e aos demais convidados que tais acontecimentos não são resultados democráticos.

É uma estranha forma de democracia que produz resultados políticos que recompensa os poucos e puni os muitos, apesar dos enérgicos  protestos dos muitos.

Os cientistas políticos entendem que os resultados eleitorais nos EUA são determinados por poderosos interesses endinheirados que financiam as campanhas políticas e que os projetos de lei que o Congresso aprova e o Presidente assina são escritos por esses grupos para servir aos seus próprios interesses. Tais conclusões são ignoradas com cinismo e não alteram a mentalidade.

Enquanto o apresentador do programa e os convidados estavam se deliciando com a superioridade ocidental dos direitos humanos e democráticos, a American Civil Liberties Union declarava em seu boletim um pedido aos seus membros a se oporem, agora perante o Congresso, à legislação que daria ao presidente atual e futuro dos Estados Unidos o poder de expandir sua autoridade na guerra podendo usar, por sua própria iniciativa, a força militar em todo o mundo, independentemente das limitações impostas pela Constituição dos EUA e do direito internacional.

Em outras palavras, na grande "democracia" americana, o presidente está para tornar-se um César.

Dr. Paul Craig Roberts é o pai do Reaganomics e o ex-chefe de política do Departamento de Tesouro. Ele é um colunista e anteriormente foi um editor do Wall Street Journal. Seu último livro, “How the Economy Was Lost: The War of the Worlds", detalha por que a América está se desintegrando.

 

Carta de um Nobel da Paz a Barack Obama.

Estimado Barack, ao dirigir-te esta carta o faço fraternalmente para, ao mesmo tempo, expressar-te a preocupação e indignação de ver como a destruição e a morte semeada em vários países, em nome da “liberdade e da democracia”, duas palavras prostituídas e esvaziadas de conteúdo, termina justificando o assassinato e é festejada como se tratasse de um acontecimento desportivo.

Indignação pela atitude de setores da população dos Estados Unidos, de chefes de Estado europeus e de outros países que saíram a apoiar o assassinato de Bin Laden, ordenado por teu governo e tua complacência em nome de uma suposta justiça. Não procuraram detê-lo e julgá-lo pelos crimes supostamente cometidos, o que gera maior dúvida: o objetivo foi assassiná-lo.

Os mortos não falam e o medo do justiçado, que poderia dizer coisas inconvenientes para os EUA, resultou no assassinato e na tentativa de assegurar que “morto o cão, terminou a raiva”, sem levar em conta que não fazem outra coisa que incrementá-la.

Quando te outorgaram o Prêmio Nobel da Paz, do qual somos depositários, te enviei uma carta que dizia: “Barack, me surpreendeu muito que tenham te outorgado o Nobel da Paz, mas agora que o recebeu deve colocá-lo a serviço da paz entre os povos; tens toda a possibilidade de fazê-lo, de terminar as guerras e começar a reverter a situação que viveu teu país e o mundo”.

No entanto, ao invés disso, você incrementou o ódio e traiu os princípios assumidos na campanha eleitoral frente ao teu povo, como terminar com as guerras no Afeganistão e no Iraque e fechar as prisões em Guantánamo e Abu Graib no Iraque. Não fez nada disso. Pelo contrário, decidiu começar outra guerra contra a Líbia, apoiada pela OTAN e por uma vergonhosa resolução das Nações Unidas. Esse alto organismo, apequenado e sem pensamento próprio, perdeu o rumo e está submetido às veleidades e interesses das potências dominantes.

A base fundacional da ONU é a defesa e promoção da paz e da dignidade entre os povos. Seu preâmbulo diz: “Nós os povos do mundo...”, hoje ausentes deste alto organismo.

Quero recordar um místico e mestre que tem uma grande influência em minha vida, o monge trapense da Abadia de Getsemani, em Kentucky, Tomás Merton, que diz: “a maior necessidade de nosso tempo é limpar a enorme massa de lixo mental e emocional que entope nossas mentes e converte toda vida política e social em uma enfermidade de massas. Sem essa limpeza doméstica não podemos começar a ver. E se não vemos não podemos pensar”.

Você era muito jovem, Barack, durante a guerra do Vietnã e talvez não lembre a luta do povo norteamericano para opor-se à guerra. Os mortos, feridos e mutilados no Vietnã até o dia de hoje sofrem as consequências dessa guerra.

Tomás Merton dizia, frente a um carimbo do Correio que acabava de chegar, “The U.S. Army, key to Peace” (O Exército dos EUA, chave da paz): “Nenhum exército é chave da paz. Nenhuma nação tem a chave de nada que não seja a guerra. O poder não tem nada a ver com paz. Quanto mais os homens aumentam o poder militar, mais violam e destroem a paz”.

Acompanhei e compartilhei com os veteranos da guerra do Vietnã, em particular Brian Wilson e seus companheiros que foram vítimas dessa guerra e de todas as guerras.

A vida tem esse não sei o quê do imprevisto e surpreendente fragrância e beleza que Deus nos deu para toda a humanidade e que devemos proteger para deixar às gerações futuras uma vida mais justa e fraterna, reestabelecendo o equilíbrio com a Mãe Terra.

Se não reagirmos para mudar a situação atual de soberba suicida que está arrastando os povos a abismos profundos onde morre a esperança, será difícil sair e ver a luz; a humanidade merece um destino melhor. Você sabe que a esperança é como o lótus que cresce no barro e floresce em todo seu esplendor mostrando sua beleza.

Leopoldo Marechal, esse grande escritor argentino, dizia que: “do labirinto, se sai por cima”.

E creio, Barack, que depois de seguir tua rota errando caminhos, você se encontra em um labirinto sem poder encontrar a saída e te enterra cada vez mais na violência, na incerteza, devorado pelo poder da dominação, arrastado pelas grandes corporações, pelo complexo industrial militar, e acredita ter todo o poder e que o mundo está aos pés dos EUA porque impõem a força das armas e invade países com total impunidade. É uma realidade dolorosa, mas também existe a resistência dos povos que não claudicam frente aos poderosos.

As atrocidades cometidas por teu país no mundo são tão grandes que dariam assunto para muita conversa. Isso é um desafio para os historiadores que deverão investigar e saber dos comportamentos, políticas, grandezas e mesquinharias que levaram os EUA á monocultura das mentes que não permite ver outras realidades.

A Bin Laden, suposto autor ideológico do ataque às torres gêmeas, o identificam como o Satã encarnado que aterrorizava o mundo e a propaganda do teu governo o apontava como “o eixo do mal”. Isso serviu de pretexto para declarar as guerras desejadas que o complexo industrial militar necessitava para vender seus produtos de morte.

Você sabe que investigadores do trágico 11 de setembro assinalam que o atentado teve muito de “auto golpe”, como o avião contra o Pentágono e o esvaziamento prévios de escritórios das torres; atentado que deu motivo para desatar a guerra contra o Iraque e o Afeganistão, argumentando com a mentira e a soberba do poder que estão fazendo isso para salvar o povo, em nome da “liberdade e defesa da democracia”, com o cinismo de dizer que a morte de mulheres e crianças são “danos colaterais”. Vivi isso no Iraque, em Bagdá, com os bombardeios na cidade, no hospital pediátrico e no refúgio de crianças que foram vítimas desses “danos colaterais”.

A palavra é esvaziada de valores e conteúdo, razão pela qual chamas o assassinato de “morte” e que, por fim, os EUA “mataram” Bin Laden. Não trato de justificá-lo sob nenhum conceito, sou contra todas as formas de terrorismo, desde a praticada por esses grupos armados até o terrorismo de Estado que o teu país exerce em diversas partes do mundo apoiando ditadores, impondo bases militares e intervenção armada, exercendo a violência para manter-se pelo terror no eixo do poder mundial. Há um só eixo do mal? Como o chamarias?

Será que é por esse motivo que o povo dos EUA vive com tanto medo de represálias daqueles que chamam de “eixo do mal”? É simplismo e hipocrisia querer justificar o injustificável.

A Paz é uma dinâmica de vida nas relações entre as pessoas e os povos; é um desafio à consciência da humanidade, seu caminho é trabalhoso, cotidiano e portador de esperança, onde os povos são construtores de sua própria vida e de sua própria história. A Paz não é dada de presente, ela se constrói e isso é o que te falta meu caro, coragem para assumir a responsabilidade histórica com teu povo e a humanidade.

Não podes viver no labirinto do medo e da dominação daqueles que governam os EUA, desconhecendo os tratados internacionais, os pactos e protocolos, de governos que assinam, mas não ratificam nada e não cumprem nenhum dos acordos, mas pretendem falar em nome da liberdade e do direito. Como pode falar de Paz se não quer assumir nenhum compromisso, a não ser com os interesses de teu país?

Como pode falar da liberdade quanto tem na prisão pessoas inocentes em Guantánamo, nos EUA e nas prisões do Iraque, como a de Abu Graib e do Afeganistão?

Como pode falar de direitos humanos e da dignidade dos povos quando viola ambos permanentemente e bloqueia quem não compartilha tua ideologia, obrigando-o a suportar teus abusos?

Como pode enviar forças militares ao Haiti, depois do terremoto devastador, e não ajuda humanitária a esse povo sofrido?

Como pode falar de liberdade quando massacra povos no Oriente Médio e propaga guerras e tortura, em conflitos intermináveis que sangram palestinos e israelenses?

Barack, olha para cima de teu labirinto e poderá encontrar a estrela para te guiar, ainda que saiba que nunca poderá alcançá-la, como bem diz Eduardo Galeano. Busca a coerência entre o que diz e faz, essa é a única forma de não perder o rumo. É um desafio da vida.

O Nobel da Paz é um instrumento ao serviço dos povos, nunca para a vaidade pessoal.

Te desejo muita força e esperança e esperamos que tenha a coragem de corrigir o caminho e encontrar a sabedoria da Paz.

 

Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz 1980.
Buenos Aires, 5 de maio de 2011

 

"Manifesto da Terra-Mãe"

A Carta do Índio Chefe Seattle

 

Já passaram muitos anos desde que foi escrita, apesar disso, a carta que se segue, não só continua actual como consubstancia uma crescente preocupação do homem de hoje.
Foi em 1854 que o chefe Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, depois de o Governo norte americano ter proposto a compra do território ocupado por aqueles índios, respondeu ao presidente dos Estados Unidos endereçando-lhe a
missiva que se anexa.
A mesma foi divulgada pela UNESCO em 1976, quando das comemorações do Dia Mundial do Ambiente.

"Como podeis comprar ou vender o céu, o calor da terra? A ideia não tem sentido para nós.

Se não somos donos da frescura do ar ou o brilho das águas, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, cada grão de areia nas praias, a neblina nos bosques sombrios, cada
monte e até o zumbido do insecto, tudo é sagrado na memória e no passado do meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem a terra onde nasceram, quando empreendem as suas viagens entre as estrelas; ao contrário os nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho.

Somos parte da terra e ela é parte de nós.

As flores perfumadas são nossas irmãs, os veados, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, o calor do corpo do cavalo e do homem, todos pertencem à mesma família.

Assim, quando o grande chefe em Washington envia a mensagem manifestando o desejo de comprar as nossas terras, está a pedir demasiado de nós. O grande Chefe manda dizer ainda que nos reservará um sítio onde possamos viver
confortavelmente uns com os outros. Ele será então nosso pai e nós seremos seus filhos. Se assim é, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Isto não é fácil, já que esta terra é sagrada para nós.

A límpida água que corre nos ribeiros e nos rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, recordar-se-á e lembrará aos vossos filhos que ela é sagrada, e que cada reflexo nas claras águas evoca eventos e fases da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai.

 

Os rios são nossos irmãos, e saciam a nossa sede. Levam as nossas canoas e alimentam os nossos filhos. Se lhes vendermos a terra, deveis lembrar e ensinar aos vossos filhos que os rios são nossos irmãos, e também o são deles, e deveis a partir de então dispensar aos rios o mesmo tratamento e afecto que dispensais a um irmão.

Nós sabemos que o homem branco não entende o nosso modo de ser. Ele não sabe distinguir um pedaço de terra de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois de vencida e conquistada, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que se compram, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. O seu apetite vai exaurir a terra,
deixando atrás de si só desertos. E isso eu não compreendo.

O nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer os olhos do homem vermelho.
Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreende...

Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o desabrochar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.

O vosso ruído insulta os nossos ouvidos. Que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs nas margens dos charcos e ribeiros ao cair da noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva
do meio dia e aromatizada pelo perfume dos pinhais.

O ar é inestimável para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis recordar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O vento que deu aos nossos avós o primeiro sopro de vida é o mesmo que lhes recebe o último suspiro.

Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir saborear a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.

Por tudo isto consideraremos a vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, eu porei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo outro modo de vida. Tenho visto milhares de bisontes apodrecendo nas pradarias, mortos a tiro pelo homem branco de um comboio em andamento.

Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o bisonte, que nós caçamos apenas para sobreviver.

Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morrerá de solidão espiritual. Porque o que suceder aos animais afetará os homens. Tudo está ligado.

Deveis ensinar a vossos filhos que o solo que pisam são as cinzas de nossos avós.

Para que eles respeitem a terra, ensina-lhes que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai aos vossos filhos o que nós ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe.

Quando o homem cospe sobre a terra, cospe sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza:

A terra não pertence ao homem branco; 

o homem branco é que pertence à terra.

Disso nós temos a certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra.

O homem não tece a teia da vida: é antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.

Nem mesmo o homem branco, cujo Deus passeia e fala com ele como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Por fim talvez, e apesar de tudo, sejamos irmãos.

Uma coisa sabemos, e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: o nosso Deus é o mesmo Deus.

Hoje pensais que Ele é só vosso, tal como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.

Esta terra tem um valor inestimável para Ele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Também os brancos acabarão um dia talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai os vossos rios e uma noite morrerão afogados nos vossos resíduos.

Contudo, caminhareis para a vossa destruição, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum desígnio especial vos deu o domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não
compreendemos como será no dia em que o último bisonte for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios
falantes. Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu.

Termina a vida começa a sobrevivência."   

 

Carta aberta de Carlos Moura


Noblat

Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?

Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria, jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Frequentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.

Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente "brasileira", da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.

O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo,

controlando também a maior rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.

O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho.

O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita ("esqueçam o que eu escrevi", " tenho um pé na senzala" "o resultado foi um trabalho de Deus"). O que vale é a forma, o estilo envernizado.

As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca. A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, "manchetar" a "queda" de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a "liturgia" do cargo. Ao togado basta o cinismo.

Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História. E ainda querem que, no final de mandato, o presidente aguente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.

Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Monica Serra sobre a "matança de criancinhas", enfiando o manto de Herodes em Dilma.

Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é "acadêmica".

A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir "caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade".

Você não vai "decidir" que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça, sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado, a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.

Carlos Torres Moura

(aposentado, fotógrafo, redator de jornal de interior, sócio de uma pequena editora de livros clássicos e coordenador da Ação da Cidadania em Além Paraíba-MG) para o jornalista de "O Globo" Ricardo Noblat.
Além Paraíba-MG 

 

 

A Revista ISTOÉ publicou esta entrevista, que reproduziremos em partes aqui na primeira página do nosso site.

O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

Cuidado com os burros motivados

Quem são os heróis de verdade?

Shinyashiki - Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes.
E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados.
Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes.
Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros.
São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

O sr. citaria exemplos?

Shinyashiki - Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,empregado em uma farmácia.
Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito "100% Jardim Irene".
É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes.
O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata?
Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

Qual o resultado disso?

Shinyashiki - Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim.
Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança.
Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos.
Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas.
Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

Por quê?

Shinyashiki - O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento.
É contratado o sujeito com mais marketing pessoal.
As corporações valorizam mais a auto-estima do que a Competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa.
Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora.
Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

Há um script estabelecido?

Shinyashiki - Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente de multinacional no programa O aprendiz ?
"Qual é seu defeito?"
Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal:
"Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar".    É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse:
"Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir".
Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

Temos um modelo de gestão  que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki - Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento.
Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência.

CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS.
Há muita gente motivada fazendo besteira.
Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão.
Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado.
Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia.
O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso

Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki - Falta às pessoas a verdadeira auto-estima.
Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser.
O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam.  
E poucos são humildes para confessar que não sabem.
Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki - Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia:
"Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham".
Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia.
Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki - Exatamente.
A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso.
Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar
suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki - Tenho minhas angústias e inseguranças.
Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente.
Há várias coisas que eu queria e não consegui.
Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos).
Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos.
Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse.
Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo.
O resto  foram apostas e erros.
Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo.
Um amigão me perguntou: "Quem decidiu publicar esse livro?"
Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki - O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas.
A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram.
Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno.
Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards.
Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates.
O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?  

Shinyashiki - A sociedade quer definir o que é certo.
São TRES loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder.
O resultado é esse consumismo absurdo. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito.
Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento.
Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.
Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte.
A maior parte pega o médico pela camisa e diz:
"Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz".
Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.
Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

   

 



   Olho no olho, na frente do espelho

 

Imagem Activa

Vamos ser sinceros e honestos com nós mesmos: na loteria do nascimento, podemos não ter tirado a sorte grande, mas também não podemos nos queixar. Se tivéssemos nascidos numa das milhares de favelas do Brasil, nossas vidas seriam bem mais difíceis de serem vividas.

Cresceríamos bem alimentados, com boas escolas, com todos os cuidados de saúde? Claro que não. Se sobrevivêssemos os primeiros anos e fôssemos crescendo, quais seriam as oportunidades para conquistar uma vida, digamos, normal?

Aos 18 anos, ou menos, começaríamos a pensar no presente e no futuro. É preciso comer, vestir-se, ter onde dormir, dinheiro para pegar ônibus... gostaríamos de conseguir um bom emprego, com um bom salário, mas nem nós mesmos (de hoje) daríamos emprego a um jovem mal vestido, mal tratado e sem qualificação.

Conseguir emprego honesto para nós seria algo quase impossível e o salário mal daria para pagar a condução e fazer um lanche. Mas existem umas organizações que não fazem tantas exigências e pagam bem. Nós correríamos riscos de morte, mas talvez seja até melhor do que o risco de morrer de fome.

Vez por outra, como nos últimos 40 anos, pelotões de elite dariam um showzinho para a imprensa. Matariam uns três de nós, enquanto mais uns dez de nós nasceriam nesses mesmos dias. Essa gente da cidade não aprendeu aritmética até hoje...

Na realidade, a vida que nos permitiram viver, nos transformaria em feras. Ou queriam o que? Que no tornássemos médicos, engenheiros, senadores, empresários? Os donos do circo nos criaram assim e é assim que ficaríamos e eles viveriam amedrontados e morando em casamatas. Colocando a culpa em nós. Ou não?

 

 

O Brasil é afetivo, encantador, violento e tenebroso.

Maria Rita Kehl

 

Maria Rita: "Basta a imprensa ignorar e a polícia intimidar que o assunto não existe".

Para Maria Rita Kehl, o importante é que quem está se mobilizando tenha inteligência política suficiente para saber que pontos políticos podem mobilizar.

Dois pesos: a psicanálise e o jornalismo. Foi a partir dessa parruda união de forças e percepções que Maria Rita Kehl produziu as crônicas de sua mais recente obra, entre muitos escritos em outros livros e jornais – incluindo o artigo que resultou na escandalosa suspensão de sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo por ter defendido políticas do governo Lula, quando o jornal (que faz campanha contra a censura) apoiava o candidato à presidência José Serra.

“Eu até gostaria de fazer crônicas mais literárias, mas os temas da atualidade acabam me roubando… e é pra isso que eu vou”, diz a intelectual, que nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato fala sobre “as dores do Brasil”, eixo agregador dos temas abordados em “18 crônicas e mais algumas”, publicação da Boitempo Editorial lançada em novembro.

Indignada com o descaso dos governos e a indiferença da população diante das mazelas sociais (“restos não resolvidos de 300 anos de escravidão”), Maria Rita fala sobre o engajamento dos jovens nas lutas populares (“ainda é pouco”), a violência policial (“resultado de uma ditadura que termina impune”) e afirma que os recursos para aplacar as dores do país estão na militância: “É hora de fazer política”.

Brasil de Fato – Uma frase que do seu último livro que chamou muito a atenção e teve grande repercussão foi “O Brasil dói”. A pergunta inevitável é: quais as dores do Brasil que você considera mais preocupantes? 

Maria Rita Kehl – Bem, não que seja uma frase genial, ao contrário, acho até banal. Mas talvez tenha chamado tanto a atenção porque corresponda ao sentimento de muita gente. A dor que o Brasil sente eu já intuía, mas aprendi com o meu ex-companheiro, o historiador Luís Felipe Alencastro, que é um estudioso da escravidão no Brasil. Uma parte do que se chama de um difuso mal estar tem a ver com os restos não resolvidos politicamente de 300 anos de escravidão. Quer dizer, não há explicitamente uma política de segregação no Brasil, mas nunca houve uma abolição, de fato. A abolição se deu porque economicamente o sistema já estava falido.

A escravidão acabou assim, com miséria, com os escravos chutados dos lugares, ganhando subsalários. Mas não houve nada para proteger essas populações, que foram jogadas nas ruas, sem trabalho, sendo tratadas do mesmo jeito que antes porque a cor da pele não muda… e marcou durante décadas os escravos. Demorou muito para o negro ser visto como um trabalhador livre, como qualquer outro. E mesmo hoje, acho importantes as políticas públicas feitas no governo Lula e no governo Dilma, mas embora não haja preconceito explícito, que agora é ilegal, há, sim, diferenças.

Outra coisa que dói, para pegar aquilo que me atinge, é a forma como a ditadura militar acabou. Igualzinho. De repente acabou, porque estava inviável mesmo… e não tem reparação, não tem investigação, julgamento de quem torturou, de quem matou… crimes de Estado ficaram impunes. Hoje há um movimento mais importante para tentar fazer alguma coisa, com muito esforço, conseguiu- se uma tímida comissão da verdade. Mas a indiferença da população é enorme. E dói também o desamparo de uma parte da população, quando tem inundação, quando desaba um morro… e você vê o modo como a verba pública é desviada, os mistérios não cumprem suas funções…. é isso que dói.

Como essas “dores” atingem, em particular, os jovens? Quais as perspectivas de futuro para que as novas gerações mudem esse cenário? O acesso à educação aumentou, mas e as oportunidades de trabalho? 

Pelo que eu vejo nas minhas viagens pelo país, o ProUni (Programa Universidade para Todos) – que foi tão criticado, as pessoas diziam que o governo estava fazendo a privatização do ensino, o que não é – abriu uma perspectiva enorme. Em 2008, por exemplo, eu viajei por uma região do rio São Francisco. Todo mundo que a gente conversava tinha um parente na universidade ou estava na universidade. Isso quer dizer que o cara vai ser um doutor, contratado por um alto salário de uma companhia? Não. Mas significa que a visão de mundo dele vai melhorar, o status dele para emprego vai melhorar. Se vai ter emprego, ou não, não dá pra saber. E o mais importante é que isso revela um interesse desse jovem pelo estudo. Eu lembro, em Barra de São Miguel (AL), o garçom dizendo “eu quero estudar história e meu irmão, filosofia”. O que isso vai melhorar na renda dele de garçom? Não tão grande coisa. Mas a visão de mundo será outra. Então, eu acho que melhorou, mas ainda falta muito.

Como você a participação política dos jovens, hoje? 

Acho que hoje há um distanciamento. Como havia antes. Na época da ditadura, a gente pensava que todo mundo estava dentro porque a gente estava dentro. Mas era uma minoria de estudantes, uma minoria de militantes. Eu acho, por exemplo, que o MST é o único movimento que atrai os jovens, hoje, inclusive os de classe média. Os partidos não atraem, a política não atrai, a política estudantil está tendo agora um crescimento, que eu acho importante, mas está minguada, comparando-se ao que já foi. Então, tem gente que diz que o jovem de hoje não está interessado em mudar o mundo. Não parece. Uma porção de jovens de classe média apoia o MST, milita, vai trabalhar lá… até mora embaixo da lona preta.

É como na minha geração. Claro, os estudantes estavam nas ruas… mas quem foi lutar? Uma minoria. As pessoas estavam adorando que o Brasil estava se tornando uma sociedade de consumo. A grande maioria, enquanto teve o milagre brasileiro, estava indo para os shoppings.

Talvez o que aconteça hoje, como não existe a ditadura, é que os jovens se envolvam em vários tipos de militância. A militância ecológica agrega muita gente. E não que eles tenham uma visão de esquerda, anticapitalista, revolucionária… talvez não tenham. Mas eles estão interessados na discussão política do meio ambiente. Porque está mais perto, é mais fácil de compreender, exige menos debate teórico, não sei por quê… mas esse é um campo de militância do jovem. Assim como as lutas pelos direitos individuais, antirracistas, por reconhecimento de homossexuais… Agora, essas lutas são fáceis do capitalismo absorver. A luta anticapitalista no Brasil ainda é confusa. O MST é uma exceção. Nessa crise, por exemplo, um grupo de estudantes acampou no Anhangabaú (Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo), tentando fazer algo como o que aconteceu em Wall Street, nos Estados Unidos. Mas aqui não tem efeito nenhum. Basta a imprensa ignorar e a polícia intimidar que o assunto não existe.

E não precisa muito para a polícia, principalmente a de São Paulo, “intimidar”. O que significa: partir para a pancadaria?      

Olha, não existe mais um Doi-Codi aqui em São Paulo. Mas a polícia paulistana é tão violenta quanto. Mata, tortura e há uma indiferença da sociedade em relação a isso. Esse movimento que houve agora na USP não era, como muitos colunistas de jornal falaram, um movimento de jovenzinhos mimados. Eles estão lutando contra a falta de direitos. É confuso, evidente, porque não ter polícia no campus é controverso, pois teve até assassinato lá… Mas a questão é o modo como a polícia age. Não tem uma passeata que não seja dissolvida com porrada, gás de pimenta, cassetete… São Paulo, nesse ponto, é o estado mais conservador do país. E o que me assusta é que a violência é grave e a sociedade fica indiferente. No período militar, tinha uma parte da população que era indiferente também. Tinha uma parte que até apoiava a violência, achava ótimo que apanhassem os comunistas. Mas também tinha uma parte que não apoiava a violência, que não estava indiferente, mas que tinha medo. Hoje não é pra ter todo esse medo de se manifestar. Tudo bem, a polícia pode chegar, jogar gás de pimenta… mas pouca gente se manifesta. Na última passeata na avenida Paulista, não sei se foram uns 3 mil estudantes, mas é pouco. Podia ter uma passeata de 50 mil.

A violência – e a indiferença da sociedade – são mais marcantes no campo, onde a luta de classes é mais selvagem? 

A região do agronegócio é um assunto à parte. No livro O que resta da ditadura, uma série de ensaios publicados pela editora Boitempo – esse livro vale ser citado, o leitor que puder deve ler – faz uma análise exatamente disso. Como uma ditadura que termina sem nem um tipo de investigação, de punição, deixa muitos restos. Tem um dado de uma pesquisadora estadunidense que diz que o Brasil, de todos os países que passaram por uma ditadura na América Latina, é o único onde a violência policial aumentou, em vez de diminuir. Só que não é mais contra estudantes, não é mais contra supostos subversivos… é contra pretos, pobres, favelados, contra gente fumando maconha, é o cara do exército que se acha desacatado pelo menino do morro…

A violência de classe no Brasil sempre existiu. Sérgio Buarque de Holanda nos mostrou o que os donos dos escravos faziam dentro de suas terras, por conta própria, a crueldade com os escravos… e a polícia não entrava. O fazendeiro, o senhor de engenho, dentro do seu pequeno feudo, fechado, era rei, policial, juiz. E o Estado não invadia, por uma questão de conluio. O pacto de classes no Brasil colonial e pós-colonial permitia, por exemplo, que o pai de família rural prendesse a filha desvirginada no quarto pro resto da vida… Sem falar nas revoltas populares que foram massacradas durante o período pré-independência. E a gente aprende na escola que a independência se deu sem sangue, dom Pedro lá, bonitinho, no cavalo… Por isso que eu coloquei no meu livro que o Brasil é afetivo, encantador, violento, tenebroso.

A que causas você atribui o aumento da violência? 

Eu não sei analisar se a violência está aumentando. O que me preocupa mais, como disse, é a indiferença das pessoas em relação à violência. O que talvez esteja mais acentuado, e eu acho que isso tem a ver com os apelos da sociedade de consumo, é a violência dita banal. A violência que tem a ver com o jovenzinho que para no farol e começa a disputar com o outro quem põe o som mais alto, e acaba em racha, e acaba em tiro… e atropela gente que não tem nada a ver com isso. A violência do sujeito que acha que para se incluir tem de ostentar algum tipo de poder que lhe é conferido por uma mercadoria. Então ele pode matar para roubar um tênis, ou, quando ele consegue um carro, tem que ir até o limite de velocidade e arrisca as pessoas, não agüenta um pequeno confronto de trânsito e já sai para brigar. É o modo como nós estamos cada vez mais definindo quem nós somos, a nossa qualidade humana, pelas mercadorias e as disputas que isso promove.

E olha que interessante… no tempo do império, a segregação pelos signos de poder era tremenda. A roupa que cada um podia usar, o tecido que podia comprar, se andava de carruagem ou de cavalo… Ou seja, a segregação pelo que você pode ter existe em toda sociedade de classes. E talvez já tenha sido até mais forte. Muito poucos podiam ostentar ou desfrutar de benefícios e privilégios e a maioria não desfrutava nem de direitos. Os direitos estão se expandindo.

Inclusive o direito a integrar a sociedade de consumo. 

Isso é curioso. Há um ponto includente, na sociedade de consumo. Por exemplo, a não ser que seja um garoto que só compra roupas de marcas importadas, não tem muita diferença entre o que usa um filho de família de classe média e o filho da empregada dessa família. Essas evidências eram muito mais fortes antes, havia menos mercadoria quando as roupas eram muito caras. Talvez por isso é que as pessoas briguem com mais violência por aquilo que as distingue. O filhinho de papai porque tem outro cara com um carrão e ele quer se sobressair. Ou o jovem de classe C, que pode comprar seu primeiro carro, e de repente acha que pode sair perseguindo os outros… Eu digo carro porque, dentro da sociedade de consumo, a propaganda de carro eu acho um horror! Na propaganda de bebida, o máximo que pode ter de segregação é: você comprou a marca X porque não sabia que a marca Y era melhor, então você é um otário. Mas a cerveja qualquer um tem dinheiro pra comprar. Agora, o carro… o cara passa com o carro e todo mundo fica babando a pé… o flanelinha disputa com o outro o direito de guardar o carro do playboy… o cara adora provocar inveja… o carro lhe basta, o mundo pode estar caindo lá fora… é o máximo da convocação para você não ter nenhum tipo de solidariedade com ninguém.

Uma apologia ao individualismo? E, daí, a indiferença em relação ao coletivo? 

Um pouco isso. Mas temos de ver que o individualismo tem suas vantagens. Por isso eu não usei essa palavra. Por exemplo, o individualismo que tem a ver com liberalismo eu acho que traz ganhos mesmo na sociedade pós-capitalista, que eu não vou chamar de comunista, mas talvez de socialista, no sentido amplo. Eu espero que esses direitos individuais não se percam. Nós, que somos mulheres, sabemos os ganhos que tivemos com o individualismo. Que cada um possa escolher seus destinos, que cada um possa fazer suas opções sexuais, decidir se vai formar família ou não, que se possa ser mãe solteira, ser mãe por inseminação artificial, não ser mãe… sem ser a escória da sociedade! Que gente rica possa escolher trabalhar com o MST ou ir para comunidades indígenas na Amazônia. A riqueza das diferenças individuais é um ganho do capitalismo liberal, que a gente chama de individualismo. Ao mesmo tempo, o individualismo é nefasto quando lança as pessoas em uma luta de todos contra todos.

Os brasileiros e a sociedade brasileira têm recursos para trabalhar as “dores” do Brasil? 

Sim, sem dúvida. Políticas públicas são saídas possíveis, mas precisa haver movimento social que pressione por essas políticas. Uma coisa que talvez tenha sido um problema no governo Lula é que muita gente que se mobilizava até então se sentiu assim: “ah… conseguimos eleger o Lula e as coisas vão acontecer”. Houve uma desmobilização e o próprio estilo de governar do Lula contribuiu para isso. “Deixa que eu cuido… calma, gente, as coisas não podem ser tão rápidas…” Esse estilo de governar eu acho um problema, politicamente. Embora ele tenha sido um grande governante do ponto de vista administrativo. Mas, politicamente, ele se colocar como um “pai” – aí vem aquela história… a gente não pode sempre dizer sim para os filhos. Enfim, ele ajudou muito a desmobilizar. Tudo bem, o papel dele não era mobilizar. Mas era acolher a mobilização. E tem também o crescimento econômico, que desmobiliza. Houve a inclusão econômica de muita gente, pelo menos da classe C, que contribuiu também para desmobilizar. As pessoas se interessam menos pelas outras lutas na hora em que elas começam a ter oportunidades individuais. Começam a cuidar de suas vidas, a fazer suas revoluções individuais. De um modo geral, as pessoas lutam muito pouco por idealismo. E, na maior parte das vezes, só quando a água bate no pescoço. Aí é que acontece a grande luta. O importante é que quem está se mobilizando tenha inteligência política suficiente para saber que pontos políticos podem mobilizar, como é que se dialoga com a sociedade mobilizada. Para articular, para angariar aliados. Senão ficam pequenos guetos de manifestações que ou são reprimidos ou não falam com ninguém. A questão toda, na essência, é fazer política.

Por Áurea Lopes, de São Paulo (SP) para o Brasil de Fato


 

 

Deus segundo Spinoza

 

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Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais-me dizer como fazer meu trabalho?

 

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Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Sentes-te olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?

Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... Aí é que estou batendo em ti.

Baruch Spinoza.

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Estas palavras são de Baruch Spinoza - nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677. Acreditem, essas palavras foram ditas em pleno Século XVII.


 

 

Definição de filho por José Saramago: 

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 "Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém alem de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como?  Não é nosso, recordam-se?

Foi apenas um empréstimo. 

 

 

Protocolo dos Sábios de Sião. Do que se trata.

                           Os Protocolos são considerados como uma obra reveladora, um mistério desvendado pela filtração das tão zelosamente guardadas Atas Secretas do Congresso Sionista de Berna, cujo conteúdo central revela uma conspiração judaico-sionista internacional e que o escritor Léon de Poncins definia como a misteriosa Internacional Judaica, pelo fato da sua mensagem indicar a existência de um complô mundial. Já para René Guénon, os Protocolos seriam “uma tática destinada à destruição do mundo tradicional”. Também o escritor e historiador espanhol, especialista em questões judaicas, Joaquín Bochaca, define o assunto assim: “os Protocolos dos Sábios de Sião podem ser resumidamente descritos como um estudo para o domínio do mundo por uma irmandade ou sociedade secreta”. Seja como for, os indícios de que o plano já estava em andamento e do qual os Protocolos seriam quase que um tipo de regulamentação já haviam sido manifestado, no século passado, pelo todo-poderoso Primeiro Ministro de origem judaica da Inglaterra, Benjamin Disraeli, ao afirmar que “o mundo está governado por personagens muito diferentes dos imaginados por aqueles que estão frente aos bastidores”, tese que seria confirmada e ratificada pelo também judeu e Ministro das Relações Exteriores da tristemente famosa República de Weimar, Alemanha, Walter Rathenau, ao afirmar que “trezentos judeus, cada um dos quais conhecendo os demais, governam os destinos do continente europeu e elegem seus sucessores entre os que os rodeiam”.

 

UM RESUMO

                           No dia 8 de Maio de 1920 o então prestigioso jornal londrino The Times publicou um resumo do famoso plano de dominação mundial, baseado na primeira edição dos Protocolos, que se encontra catalogado desde 1906 no Museu Britânico, sob o código 3926d17. A partir desta data iniciou-se a grande polêmica em torno do assunto. Vejamos o resumo dos Times:

 

                           Primeiro: Existiram e continuam existindo, desde há muitos séculos, organizações secretas políticas judaicas;

 

                           Segundo: O espírito destas organizações está fundamentado num ódio tradicional e eterno à Cristandade e a uma ambição titânica de dominar o mundo;

 

                           Terceiro: O objetivo perseguido através dos ‘séculos é a destruição dos Estados nacionais e sua substituição pelo domínio judaico internacional;

 

                           Quarto: O método empregado para enfraquecer e destruir os agrupamentos políticos existentes consiste em introduzir idéias dissolventes com uma força destrutiva cuidadosamente dosada e progressiva e que vai desde o liberalismo ao radicalismo, do socialismo ao comunismo, chegando até a anarquia, com o aumento dos princípios igualitários. Durante este período os judeus permanecerão protegidos contra essas doutrinas destruidoras: “Nós promoveremos o liberalismo para os gentios (goiym = não-judeus), porém, por outro lado, manteremos nossa Nação sob um domínio absoluto. Do fundo do abismo da anarquia em que o mundo será jogado e como resposta às lamentações da Humanidade enlouquecida, esta só obterá a lógica fria, sábia e tirânica de um Governo do ‘Rei da raça de Davi’, que aparecerá a seu devido tempo”;

 

                           Quinto: Os dogmas políticos estabelecidos e desenvolvidos pela Europa cristã, a ciência do homem de Estado e do político democrata se encontram ao mesmo nível do desprezo que dele têm os Sábios de Sião. Para eles a ciência de Estado é uma arte secreta de ordem superior, que se adquire unicamente através de um treinamento tradicional somente comunicado a um reduzido número de eleitos no refúgio de algum santuário oculto. “Os problemas políticos não são de natureza a serem deixados ao alcance do homem comum; os únicos que podem compreendê-lo são, como já afirmamos, os chefes que vêm dirigindo estes assuntos durante vários séculos”;

 

                           Sexto: Segundo esta concepção da arte política, as massas são como rebanhos de gado e os políticos que dirigem os gentios, “adventícios saídos da revolta, incompetentes e cegas”; são como marionetes cujas cordas são manejadas pelas mãos ocultas dos Sábios de Sião. Estes bonecos são, em geral, pessoas corrompidas e quase sempre incapazes, que cedem facilmente à adulação ou às ameaças e se submetem por medo a chantagens, trabalhando em benefício do domínio judaico sem nem se dar conta disso;

 

                           Sétimo: A imprensa, o teatro (hoje cinema, televisão, rádio), a bolsa de valores, a ciência, as próprias leis, se encontram nas mãos dos que possuem o ouro. Dispõem dos meios para que se produza a confusão, o caos na opinião pública, a desmoralização da juventude, o estímulo dos vícios entre os adultos e, caso seja necessário, sabem fazer prosperar entre os gentios, em vez das aspirações idealistas da civilização cristã, a cobiça pelo dinheiro, acrescentando neles o ceticismo materialista e o cínico apetite pelo prazer.

 

No Google você encontrará

diversos sites sobre o assunto

e até a transcrição completa do livro.

 

 

 

 

A Deus o que é de Deus

e a Cesar o que é de Cesar...

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Os países cristãos do mundo se tornaram os países menos cristãos do mundo. Querem mais o que é de Cesar do que é de Deus. Cristo passou a ser um simples e pequeno adorno num bastão de apoio. Ou decoração de igrejas, de tribunais de “justiça”, de gabinetes de governo, de hospitais, de escolas, universidades, veículos de comunicação etc. etc.

Nada a ver com o que Cristo sonhou e pregou. Seus seguidores em pouco tempo preferiram seguir os princípios e valores dos Césares. E os cristos de hoje continuam pregados na cruz de suas vidas.

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E isso não é só de hoje em dia. Cristo jamais aprovaria o que fizeram com os índios americanos e brasileiros, com os maias, os astecas, os incas, os africanos. Os países cristãos tornaram-se bárbaros e/ou cúmplices de grandes genocídios. Por terras, dinheiro, ouro, pedras preciosas, petróleo, poder.

Esqueceram-se completamente das palavras e das lições de Cristo. Nunca aceitaram ser apenas usuários do planeta e que não são e nunca serão seus proprietários. Como países e como indivíduos. Esqueceram os 10 mandamentos e chamam de fanáticos os que acreditam em outras religiões. E não sabem o quanto o deus dolar é falso e traiçoeiro.

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Não sou cristão. Como outros bilhões de seres humanos do planeta também não são, mas talvez somos mais cristãos do que muitos que fazem aquelas caras angelicais nas missas e cultos desrespeitando a inteligência de Deus.

 

 

 

Os maias disseram que o mundo iria acabar em 2012?

A mensagem maia, por Fernando Malkun

Do Blog Célio Siqueira

2012 - Uma Crise de Consciência

O especialista em cultura maia explica o que esta civilização escreveu sobre o próximo ano. Há quinze anos atrás, Fernando Malkun, barranquillero ( natural de Barranquilla, uma cidade da Colômbia) de origem libanesa, deixou a arquitetura que tinha estudado na Universidade de los Andes, e a qual havia se dedicado por quase uma década, para responder às perguntas que se atravessaram em sua vida. Durante esse tempo, ele se encontrou com a cultura Maia e dedicou-se completamente ao seu estudo. Hoje é um especialista no tema, com reconhecimento internacional e continua viajando pelo mundo explicando a mensagem que esta civilização deixou para os seres humanos.

Os maias disseram que o mundo iria acabar em 2012?

Estão gerando um pânico coletivo absurdo aduzindo que eles tinham anunciado que o mundo iria acabar em dezembro de 2012. Não é verdade. Os Maias nunca usaram a palavra fim. Anunciaram um momento de mudança, de grande aumento de energia do planeta, o que causaria "eventos de destino", isto é, definitivos, nas pessoas. O problema é que o nível de consciência da maioria das pessoas atinge apenas o fim do mundo e não a transformação de consciência.

 

Quando isso vai acontecer?

Não vai acontecer, está acontecendo. As pessoas não estão juntando todas as peças do quebra-cabeças para perceber isso. Acreditam apenas que estes eventos atuais são causados por um conjunto de "coincidencias" evolutivas. Mas estamos em uma onda de mudanças como nunca antes.

O que se percebe, segundo o que é dito pelos Maias?

A profecia anunciou que o planeta aumentaria a sua freqüência vibracional, o que é um fato: esta freqüência, que se mede com a ressonância Schumann, passou de 8 a 13 ciclos. Todos os planetas do sistema solar estão mudando. De 1992 até hoje, os pólos de Marte desapareceram 60 por cento e Vênus tem quase o dobro de luminescência. Passamos 300 anos registrando o Sol e as tempestades solares maiores têm ocorrido nos últimos seis meses. Houve um aumento de terremotos de 425 por cento. Tudo está acelerado dos pontos de vista geofísico e solar. Nosso cérebro, que irradia suas próprias ondas, é afetado por essa maior irradiação do sol. Essa carga eletromagnética é o motivo por que sentimos o tempo mais rápido. Não é o tempo físico, mas o tempo de percepção emocional.

Fale sobre 1992. Por que este ano? O que aconteceu ?

A essência das profecias maias é comunicar a existência de um ciclo de 26.000 anos, chamado "o grande ciclo cósmico". Tudo, estações, meses, dias se ajustam a esse ciclo. Há 13 mil anos atrás, o sol –assim como agora- irradiou mais energia no planeta e derreteu a camada de gelo . Essa camada desaguou no mar, elevou o seu nível em 120 metros e ocorreu o chamado "Dilúvio Universal ". Os Maias disseram que quando o sistema solar estiver novamente a 180 graus de onde estava a 13.000 anos atrás, a Estrela do Norte brilha sobre o pólo, a constelação de Aquário aparece no horizonte e o trânsito décimo terceiro de Vênus se der - o que vai acontecer em 6 de junho de 2012 - o centro da galáxia pulssará e haverá manifestações de fogo, água, terra, ar. Eles falam, especificamente, de dois períodos de vinte anos , de 1992 a 2012 e 2012-2032 - de intensas mudanças.

Por que anunciavam isso?

A proximidade da morte faz com que as pessoas repensem suas vidas, examinem e corrijam a direção que tomam. Isso é algo que ocorre somente se algo se aproxima de você, ou você passa diretamente, te impacta tremendamente. Isto é o que tem acontecido com os tsunamis,os terremotos, as catástrofes naturais de que vivemos, os conflitos sociais, econômicos, etc.
Então, eles falam de morte. Eles falam de mudança, de um despertar da consciência. Tudo o que está errado com o planeta está se potencializando com o objetivo de que a mente humana se dedique a resolvê-lo. Há uma crise de consciência individual. As pessoas estão vivendo "eventos de destino", seja em seus relacionamentos, seus recursos, em sua saúde. É um processo de mudança que se baseia principalmente no desdobramento invisível, e está afetando em especial à mulher.

 

Por que as mulheres?

A mulher é quem terá o poder de criar a nova era, devido à sua maior sensibilidade. De acordo com as profecias - não só as maias, mas muitas-, a era que se aproxima é de harmonia e espiritualidade. As coisas que estão mal vão se resolver no período que os Maias chamaram de "tempo do não tempo", que será de 2012-2032. Desde 1992, o percentual de mulheres que vêem a aura (seres curadores) do planeta tem aumentado. Hoje, é de 8,6 por cento. Imagine que em 2014 seja de 10 por cento. Isso significaria o início de um período mais transparente. Essa seria a direção da mudança não violenta.
Mas o que se vê hoje é um aumento na agressividade ... As duas polaridades são intensificadas. Estão abertos os dois caminhos, o negativo, escuro, destruição, de confronto do homem com o homem; e o de crescimento da consciência. Existem várias vozes que estão levando os seres humanos a pensar sobre isso. Desde 1992, as informações proibidas dos gnósticos, dos maçons, dos Illuminati, estão abertas para que se utilize no processo de mudança de si mesmo. A religião esta acabando e a religiosidade é que irá permanecer.

Tudo isso , os Maias deixaram de escrito, assim específico?

Não a esse ponto. Eles disseram que o sol iria mudar as condições do planeta e criar "eventos de destino ". O sol bateu todos os recordes este ano. Os Terremotos aumentaram 425 por cento. A mudança de temperatura é muito intensa: de 92 para cá aumentou quase um grau, o mesmo que subiu nos últimos 100 anos anteriores. Antes, havia 600 ou 700 tormentas elétricas simultâneas, hoje há duas mil. Antes se registravam 80 raios por segundo, agora caem entre 180 e 220.

Como eles sabiam que isso ia acontecer?

Eles tinham uma tecnologia extraordinária. Em suas pirâmides havia altares de onde eles estudaram o movimento do sol no horizonte. Produziam gráficos com os quais sabiam quando haveria as manchas solares, quando aconteceriam tempestades elétricas. Foi um conhecimento que receberam dos egípcios, que, por sua vez, o receberam dos sacerdotes sobreviventes da Atlântida, civilização destruída 13.000 anos atrás. Os Maias aperfeiçoaram o conhecimentos e foram os criadores dos calendários mais precisos. Um deles, chamado "Conta larga" termina em 21 de dezembro de 2012, e marca o ponto do centro exato do período de 26.000 anos. Eles sabiam que essas mudanças estavam vindo e o que eles fizeram foi dar essa informação para o homem de 2012.

Será que estas mudanças só foram levantadas por eles?

Todas as profecias falam da mesma coisa. Os hindus, por exemplo, anunciam o momento de mudança e falam sobre a chegada de um ser extraordinário qual o mundo ocidental cristão apregoa. Os Maias nunca falaram de um ser extraordinário que viria para nos salvar, mas falaram de crescer em consciência e assumir a responsabilidade, cada ser na sua individualidade.
E se as pessoas não acreditam nisso? Acreditando ou não, vai senti-lo no seu interior. A mudança que estamos vivenciando não é algo de se acreditar ou não. Neste momento, a maioria está vivendo um tempo de avaliação de sua vida. Por que estou aqui, o que está acontecendo, para onde eu quero ir? Basta olhar o crescimento da busca de espiritualidade, não de religiosidade, porque a religião não está dando mais respostas às pessoas.

A sua vida pessoal mudou?

Há quinze anos atrás, eu era tremendamente materialista. Minha conduta é muito diferente hoje. Eu me perguntei por que estava aqui, para quê, e por razões especiais acabei metido no mundo Maia. E posso afirmar que não se tratam de crenças falsas para substituir crenças falsas. Tirei muitas histórias da minha mente, mas eu ainda estou no terceiro nível de consciência, que é dominante no planeta. Quem está mais em cima?
Há pessoas que estão em um nível 4 ou 5. São as menos famosas, de perfil baixo. Em uma viagem conheci um jardineiro extraordinário, por exemplo. Estes seres estão em serviço permanente, afetando a vida de muitas pessoas, mas não publicamente.

 

O que devemos fazer, de acordo com essa teoria?

O universo está nos dando uma oportunidade individual para reestruturar nossas vidas. A maneira de sincronizar-nos é, primeiro, não ter medo, perceber que podemos mudar nossa consciência. A física quântica já disse: a consciência modifica a matéria. O que significa que sua vida depende daquilo que você pensa. A distância entre causa e efeito tem diminuído. Há vinte anos atrás, para que se manifestasse algo em sua vida, necessitava-se de muita energia. A vinte anos atrás qualquer fator de punição de um ato maldoso ganhavam-se os anos para receber alarde. Hoje tudo ganha destaque rápido. A corrupção pelo mundo a fora tem ganhado destaque internacional. As ditaduras estão caindo. As religiões estão a cada dia mais problemáticas, Hoje, você pensa algo e em uma semana está acontecendo. Sua mente causa isso. O que devemos é buscar, as respostas estão aí. Basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir.

O universo está nos dando uma oportunidade individual para reestruturar nossas vidas.

" NÃO PODEMOS NOS ESQUECER QUE ESTAMOS AQUI SOMENTE DE PASSAGEM E O QUE LEVAREMOS CONOSCO, SERÁ APENAS AS EXPERIÊNCIAS QUE FORAM REGISTRADAS EM NOSSA CONSCIÊNCIA."

 

 

 

A fórmula do sucesso

(e do fracasso)

 

Jim Rohn, o homem que muitos consideram como o Maior Filósofo de Negócios do Mundo, já compartilhou suas filosofias e seus princípios de sucesso de mais de 46 anos de experiência com mais de 6 mil públicos diferentes e mais de 5 milhões de pessoas ao redor do mundo. Jim Rohn é considerado o "guru dos gurus" tendo sido mentor de Tony Robbins e Brian Tracy.

 

O fracasso não é um evento único, cataclísmico. Não fracassamos da noite para o dia. O fracasso é o resultado da acumulação de pensamentos e escolhas ruins. Posto de maneira mais simples, o fracasso nada mais é do que alguns erros de julgamento repetidos todos os dias.

Agora, como alguém poderia cometer um erro de julgamento e, além disso, ser tão bobo a ponto de repeti-lo todos os dias? A resposta é: porque ele ou ela acha que não importa.

Sozinhos, nossos atos diários não parecem tão importantes. Um descuido pequeno, uma decisão ruim ou uma hora perdida geralmente não resultam em um impacto instantâneo e visível. Com muita frequência, nós escapamos de qualquer consequência imediata de nossas atitudes.

Se não tivéssemos nos importado em ler nenhum livro nos últimos 90 dias, essa falta de disciplina não teria um impacto imediato em nossas vidas. E uma vez que nada drástico aconteça a nós após 90 dias, continuaremos a cometer esse erro de julgamento por mais 90 dias, e por aí vai. Por quê? Porque não parece fazer diferença. E é aí que mora o grande perigo. Muito pior que não ler os livros é não perceber que isso importa, sim!

Aqueles que comem porcaria demais estão contribuindo com um futuro problema de saúde, mas o prazer do momento se sobressai à consequência do futuro. Parece não fazer diferença. Aqueles que fumam ou bebem demais continuam fazendo essa escolha ruim ano após ano… Porque parece não fazer diferença. Mas a dor e o arrependimento por esses erros de julgamento foram apenas adiados. Consequências raramente são instantâneas; ao invés disso, elas se acumulam até que o dia inevitável chega e o preço por nossas escolhas ruins precisa ser pago – escolhas que pareciam não fazer diferença.

O atributo mais perigoso do fracasso é a sutileza. Aparentemente, aqueles pequenos erros não parecem fazer diferença nenhuma. Não parece que estamos fracassando. Na verdade, às vezes esses erros de julgamento acumulados ocorrem em um período de grande alegria e prosperidade em nossas vidas. Enquanto nada de terrível nos acontecer, enquanto não houver consequências imediatas que chamem nossa atenção, simplesmente viveremos dia após dia repetindo os mesmos erros, pensando pensamentos errados, ouvindo vozes erradas e fazendo as escolhas erradas. O céu não caiu sobre nós ontem; portanto, o ato provavelmente foi inofensivo. Como pareceu não ter consequências relevantes, é provavelmente seguro repeti-lo.

Precisamos ser mais espertos!

Se ao final do dia, quando cometemos nosso primeiro erro de julgamento, o céu caísse sobre nós, nós certamente teríamos tomado atitudes imediatas para assegurar que aquilo não aconteceria de novo. Como uma criança que põe a mão na chaleira fervente apesar dos avisos de seus pais, nós teríamos tido uma experiência instantânea que acompanharia o erro de julgamento.

Infelizmente, o fracasso não dá avisos, como nossos pais costumavam fazer. É por isso que é imperativo refinar nossa filosofia de modo a tomar melhores decisões. Com uma filosofia pessoal poderosa guiando cada passo, tornamo-nos mais cientes de nossos erros de julgamento e de que cada erro realmente importa.

 

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Esta é a boa notícia: assim com a fórmula para o fracasso, a fórmula para o sucesso é fácil de se seguir. São disciplinas simples praticadas diariamente.

Aqui surge uma questão que vale ponderar: como podemos transformar os erros da fórmula do fracasso nas disciplinas requeridas na fórmula do sucesso? A resposta é: fazendo do futuro uma parte importante da sua filosofia atual.

Tanto o sucesso quanto o fracasso envolvem consequências futuras, as inevitáveis recompensas ou os inevitáveis arrependimentos resultantes de atividades passadas. Se isso é verdade, por que as pessoas não dedicam mais tempo a ponderar sobre o futuro? A resposta é simples: elas estão tão presas no presente que não parece ser importante. Os problemas e as recompensas de hoje são tão absorventes para alguns seres humanos que eles nunca param tempo suficiente para pensar no amanhã.

Mas e se desenvolvêssemos uma nova disciplina que levasse apenas alguns minutos todos os dias para olhar um pouco mais adiante? Nós, então, poderíamos prever as consequências decorrentes de nossa conduta atual. Armados com essa informação valiosa, poderíamos tomar as ações necessárias para transformar nossos erros em disciplinas orientadas para o sucesso. Em outras palavras, ao nos disciplinarmos a prever o futuro, poderíamos mudar nossa maneira de pensar, consertar nossos erros e desenvolver novos hábitos para substituir os antigos.

Uma das coisas excitantes da fórmula do sucesso – algumas disciplinas simples praticadas todos os dias – é que os resultados são quase imediatos. Ao transformarmos voluntariamente nossos erros diários em disciplinas diárias, nós vivenciamos resultados positivos em um período de tempo muito curto. Quando mudamos nossa dieta, nossa saúde melhora consideravelmente em poucas semanas. Quando começamos a nos exercitar, sentimos uma nova vitalidade quase imediatamente. Quando começamos a ler, vivenciamos uma consciência crescente e um novo nível de autoconfiança.

Qualquer que seja a nova disciplina que comecemos a praticar diariamente, ela vai produzir resultados animadores que nos levarão a nos tornarmos melhores em desenvolver novas disciplinas.

A real magia de novas disciplinas é que elas nos farão consertar nosso pensamento. Se começássemos hoje a ler livros, manter um diário, assistir a aulas, ouvir mais e observar mais, hoje seria o primeiro dia de uma vida nova rumo a um futuro melhor. Se fôssemos começar hoje a nos esforçar mais e fazer um esforço consciente e consistente para transformar erros sutis e fatais em disciplinas construtivas e recompensadoras, nunca mais iríamos viver uma vida existencial – não depois de provar os frutos de uma vida substancial!

 

Matéria enviada pelo Reinaldo Mathias de Londrina.

 

 

 

Conspiração Illuminati

e a  Nova Ordem Mundial

Tenho observado que existe uma conspiração na velha mídia querendo nos “provar” que conspirações não existem. Como se elas nunca tivessem existido. A matéria abaixo sobre isso é muito interessante e intrigante.

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O logo da Illuminati, se o virarmos 180 graus, continuará o mesmo. Por acaso?

A pirâmide com o olho que tudo vê e o lema Novus ordo seclorum no Grande Selo dos Estados Unidos, é considerado um símbolo dos Illuminati.

Desde o final do século XVIII até meados do século XX, muitos teóricos de conspiração reacionários especulam que os Illuminati sobreviveram a sua supressão, por causa de sua suposta infiltração na Maçonaria, e se tornaram o cérebro por trás de grandes eventos históricos como a Revolução Americana, a Revolução Francesa, a Revolução Russa, as Guerras Mundiais e até os ataques de 11 de setembro de 2001; levando a cabo um plano secreto para subverter as monarquias da Europa e a religião Cristã visando a formação de uma Nova Ordem Mundial secular baseada na razão científica.

Escritores como Mark Dice, David Icke, Ryan Burke, Jüri Lina e Morgan Gricar têm argumentado que os Illuminati da Baviera sobreviveram, possivelmente até hoje. Muitas destas teorias propõe que os eventos mundiais estão a ser controlados e manipulados por uma sociedade secreta que se autodenomina Illuminati.

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Os teóricos da conspiração afirmam que muitas pessoas notáveis foram ou são membros dos Illuminati, incluindo Winston Churchill, a família Bush, Barack Obama, a família Rothschild, a família Rockefeller (incluindo David Rockefeller) e Zbigniew Brzezinski, entre outros.

O termo "Illuminati" também é geralmente associado com os membros de instituições e sociedades secretas de inspiração ocultista e/ou globalista, independentemente do fato de eles serem realmente relacionados com a Ordem Illuminati: os Skull & Bones, Grupo Mesa Redonda, a Sociedade Fabiana, o Royal Institute of International Affairs, o Council on Foreign Relations, o Bohemian Club, o Clube de Bilderberg, a Comissão Trilateral, o Clube de Roma, a Fundação Carnegie, a Fundação Rockefeller, etc.

Também sugerem que os fundadores dos Estados Unidos da América – sendo alguns deles franco-maçons – estavam “influenciados” pela corrupção dos Illuminati. Frequentemente o símbolo da pirâmide que tudo vê no Grande Selo dos Estados Unidos é citado como exemplo do olho sempre presente dos Illuminati sobre os americanos.

E também citam que usam nas notas a escrita Novus Ordo Seclorum que significa ''New Deal" ou Nova Ordem Secular, "novo ideal" desmentindo a escrita do lado, que diz Em Deus Confiamos. Jordan Maxwell, pesquisador dos Iluminatti, afirma que 'Novus Ordo Seclorum" pode ser traduzido para "Nova Ordem Mundial".

Bem pouca evidência confiável pode ser encontrada para apoiar a hipótese de que o grupo de Weishaupt tenha sobrevivido até o século XIX. Contudo, diversos grupos têm usado a fama dos Illuminati desde então para criar seus próprios ritos, alegando serem os Illuminati, incluindo a Ordo Illuminatorum, Die Alten Erleuchteten Seher Bayerns, The Illuminati Order, e outros."

Não se deve desacreditar ou acreditar cegamente, mas é bom ficar alerta. Querendo saber mais sobre o assunto:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Illuminati


 

Mim dono do mundo! Uga! Uga! 

A admiração que tínhamos pela sabedoria e sofrimento do povo judeu, transformou-se em medo. A admiração que tínhamos pela jovialidade, criatividade, simpatia e glamour do povo americano, transformou-se em medo.

Tudo aquilo que esses dois povos fizeram para destruir a estupidez nazista, eles agora a copiam. Por motivações menores (coisa que parecia impossível).

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Transformaram-se, pelo poder das armas, da economia e da mídia, em povos acima da impunidade. Estão invadindo, matando, destruindo, roubando, sem motivos comprováveis.

Mentindo com aquela soberba que só os fanáticos conseguem ter. De fanáticos do poder, tornaram-se terroristas. Os maiores que o mundo já viu. Não só pelas armas mas, principalmente pelo terrorismo econômico (que não mata mas faz morrer milhões de crianças, homens e mulheres inocentes).

Para que? Para baterem no peito e dizerem: Mim (uga! uga!) Mim dono do mundo (uga! uga!). 

 

 

Comentários de um gay.

Finalmente, alguém tremendamente lúcido, inteligente, esclarecido e principalmente uma pessoa que respeita o espaço dos outros:

Tenho 42 anos, sou gay, torcedor do cruzeiro, advogado e moro em Londres. 

Nunca sofri nenhum tipo de discriminação em virtude de minha orientação sexual.

E como gay, penso que tenho alguma autoridade nesse assunto.

Primeiramente - e já contrariando a turba - gostaria de expressar minha sincera simpatia pelo Deputado Bolsonaro, que no fundo deve ser uma pessoa de uma doçura ímpar, apesar de suas manifestações "grosseiras e/ou politicamente incorretas".

Mas ele está corretíssimo em suas ponderações sobre as ideais dos gays brasileiros.

Vou direto ao assunto.

Nunca tive problemas em ser homossexual porque sou uma pessoa comum, quase igual à vida de qualquer heterossexual. 

Esse negócio de viver a vida expressando diuturnamente sua sexualidade é uma doença.

A sexualidade é algo que se encontra na esfera da intimidade e não diz respeito a ninguém.

Não tenho trejeitos e não aprecio quem os tem.

Para mim, qualquer tipo de extremo é patológico.

Minha vida é dedicada e focada em outras coisas, principalmente o trabalho.

Outros, como doentes que são, vivem a vida focados na sexualidade. 

O machão grosseiro e mulherengo ou a bicha louca demonstram bem estes extremos. 

Qualquer tipo de pervertido ou depravado, ou pedófilo, estão neste mesmo barco.

Nunca fui numa parada gay e jamais irei, pois para mim aquilo é um circo de loucas horrorosas, uma apologia à bizarrice e à cocaína.

Sejam francos e falem a verdade! Hoje aplaudimos o bizarro e a perversão doentia e ainda levamos nossos filhos pra assistir esses desfiles.

Se a parada gay realmente fosse um ato político, relembrando sua real importância histórica, muita bem caberia no carnaval - abrindo o desfile das escolas de samba. Muito mais apropriado.

Está rolando sim, um movimento das bichas enlouquecidas, no sentido de transformar o mundo num grande puteiro hospício gay.

Eu tenho um sobrinho de 11 anos e nunca senti a necessidade de explicar para ele que o "titio é gay" - isto é uma palhaçada.

As crianças devem ser educadas no sentido de respeitar o próximo e ponto.

Isto engloba tudo.

Se pararmos para olhar como o mundo se encontra, temos que reconhecer que o modelo de educação que se desenvolve há décadas foi criado no sentido de deseducar e desestruturar cultural e intelectualmente as massas. 

Universidades por todo mundo vomitam milhões de pseudos intelectuais todos os anos, mas tudo piora a cada dia e caminhamos a passos largos para o buraco.

Todos os governos do mundo conspiram contra seus próprios cidadãos e se transformaram em grandes máfias, junto com os Bancos e as Corporações estão levando tudo, inclusive (e principalmente) nossa própria humanidade. 

A corrupção se alastra pelo globo e nunca vimos tantas guerras e descrições que vão desde o aspecto moral, até o material - a destruição de nosso próprio planeta.

A coisa está tão feia, mas tão feia, que somente uma intervenção "divina" é capaz de frear nossos insanos governantes e a turba alucinada.

 

Fingi ser gari por 1 mês

e vivi como um ser invisível.

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da “invisibilidade pública”. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social. Plínio Delphino, Diário de São Paulo.


 Imagem Activa

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou um mês como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.

Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

“Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência”, explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.

“Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão”, diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço.

Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro.

Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:

“E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?” E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central.

Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu.

Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de um mês trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.

Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.

Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.

Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma “COISA”.

Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!

Divulgue esta matéria. Enviada ao nosso blog por Nelson Marcondes.

 

 

 
 
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Zeno José Otto | Sr.Com Comunicação | www.zenosr.com